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A Honra e o bolso

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Participando, recentemente, de bate papo com amigos, discutia-se sobre ?o ponto fraco? dos homens. Alguns afirmavam serem as zonas erógenas, tanto masculinas quanto femininas, enquanto outros apostavam na certeza tratar-se de sua ausência de forças para resistir às tentações dos sete pecados capitais, defendendo que nos comportamentos embasados na soberba, avareza, luxúria, inveja, gula, ira e preguiça reside a resposta para todas as maldades do mundo. Em minha infância conheci duas pessoas marcantes. Eram irmãos e se chamavam Batista e Cuta. Ela fora babá de minha mãe, enquanto ele, o braço direito da família: verdadeiro faz tudo! Lembro de os achar muito, mas muito velhos... o tempo lhes passara deixando a pele do corpo engilhada pela ação do sol, calcanhares rachados devido à alta temperatura do solo onde pisavam, quase sempre descalços. Eu os encontrava anualmente, no retorno à fazenda durante as férias, cada vez os achando mais corcundas, boca murcha, quase sem dentes. Em minha inocência infantil imaginava revê-los sempre, porque jamais morreriam. Em última hipótese seriam abduzidos e subiriam direto para as estrelas. Apesar disto, recordo haver em conversa com estas figuras aprendido o ser racional possuir dois pontos fracos: o bolso e a honra. ?Macho?, - assim ele me chamava sempre pitando seu cachimbo -, se você estiver jogando futebol e lhe cuspirem no rosto, esqueça para não ser expulso pelo árbitro, mas, estando com sua mãe, se fizerem o mesmo com ela, meta a faca no bucho do cara. Se lhe pedirem uma moeda emprestada, é melhor dizer que não tem ou, querendo ajudar, dar de presente. Caso contrário, o devedor pode não querer pagar, transformando-se em seu desafeto. Hoje entendo que meus velhos amigos estavam certos. Realmente, a honra e o bolso ditam as regras do mundo. Quantos problemas ocorrem, embora se não tornados públicos facilmente se resolvam, agigantando-se, ao contrário, a ponto de, em algumas oportunidades, modificarem o comportamento de um ou do outro. É briga entre sócios, namorados ou até marido e mulher, que embora iniciadas por culpa de uma das partes, são alimentadas pela outra metade, aumentado a polêmica e desgastando não somente o relacionamento, como colocando em cheque a dignidade de um ou do outro. São simples empréstimos, mas, se não quitados estremecem o relacionamento respeitoso normalmente existente entre duas criaturas, gerando uma cascata de fofocas que em nada acrescentam à sociedade, embora esta insista em insuflá-las apostando no ?quanto pior, melhor?. Assim é a vida. Lembro quando, em conversa com um de meus inúmeros alunos de engenharia ou arquitetura, ao saber que seu noivado terminara, por um passo desequilibrado dele, falei para chorar de tristeza, mas nunca de orgulho ferido, pois, este sentimento é capaz de ensejar vingança e mágoa, muitas vezes até de si próprio. Cada vez mais conscientizo ser complexo entender o porquê de duas pessoas que durante muito tempo souberam se completar, mas ao se afastarem, optam por viver incompletos, fustigando um ao outro.

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