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O senhor das armas

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O que estamos assistindo, é mais do que o desmoronamento de um governo que não começou. O que está ficando bastante claro para a sociedade brasileira é a desconstrução de um discurso, que desde o início era evidentemente falacioso. Foi eleito um candidato sem biografia, sem programa de governo e que não participou de um único debate para dizer qual o seu projeto de país. O presidente Bolsonaro está se revelando, no exercício da presidência, tudo aquilo que sempre foi ao longo da sua vida pública. Passou quase três décadas na câmara dos deputados, com pífia atuação parlamentar, que sequer poderíamos chamar de inexpressiva, visto que foi um mandato marcado pela total nulidade de propostas e de projetos de lei que contribuissem, minimamente que fosse, com o crescimento e desenvolvimento nacional. O discurso bolsonariano nos últimos anos, foi o samba de uma nota só do ódio e da violência. Lógico que não poderia dar certo como políticas públicas governamentais. Foi necessário pouco tempo para que o nosso povo descobrisse o óbvio. Não foi por falta de aviso. Mas o objetivo aqui não é tratar das trapalhadas e da corrupção em que estão envolvidos o presidente, seus rebentos e laranjas. Torço para que o judiciário seja imparcial e leve as últimas consequências sobre o que já não há mais dúvidas. O que de fato é estarrecedor, são amplos segmentos da nossa sociedade terem comprado este discurso de apologia a violência. O que podemos constatar na campanha eleitoral do candidato militarista, foi uma sequência de desrespeito aos direitos humanos, aos gays, aos negros, as mulheres, aos índios e, sobretudo, aos pobres. Bolsonaro se elegeu com o discurso da segurança pública, não nos aspetos estruturais do problema, uma vez que não houve um estudo sério sobre esta narrativa, mas restrito aos limites banais da verborragia, do tipo ?bandido bom é bandido morto?. As coisas não se resolvem assim tão facilmente, uma vez que a criminalidade vai além de intervenções militares. São necessárias intervenções na educação, na saúde e nas políticas de inclusão social. Uma das principais promessas de campanha de Jair Bolsonaro começa a tomar forma de lei, com a instituição do decreto presidencial que facilita o uso de armas de fogo pela população. Isto vai de encontro as políticas de todos os países do capitalismo central, que pregam exatamente o desarmamento, com a exceção dos Estados Unidos. Não por acaso, as maiores chacinas de estudantes no mundo ocorrem nas escolas americanas. O documentário Tiros em Columbine, de Michael Moore, ganhador do Oscar e de Cannes, como melhor documentário de 2003, revela os riscos que se correm com a massificação da cultura da violência, que termina por instigar a psicopatia midiática de que a melhor defesa é o ataque. De acordo o FBSP - Fórum Brasileiro de Segurança pública, em parceria com o IPEA, o número de vitimas em 2016, mortas por arma de fogo no Brasil, chegaram ao preocupante e assustador número de 62.517 pessoas. Estamos falando de aproximadamente 533 mil mortos na última década ou 153 crimes desta natureza diariamente. Na Síria, país com maior confronto militar do mundo atualmente, foram contabilizadas em 2018, 19.666 pessoas vítimas deste conflito armado. Este decreto do Governo Bolsonaro, entretanto, irá gerar lucros monstruosos, metafórica e literalmente, à indústria armamentista e aos traficantes de armas, como o personagem Yuri Orlov, interpretado por Nicola Cage, no excelente filme O Senhor das Armas, com direção de Andrew Niccol. Nós, simples mortais, entramos neste roteiro, apenas como números estatísticos do Mapa da Violência!

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