loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
domingo, 31/08/2025 | Ano | Nº 6044
Maceió, AL
22° Tempo
Home > Opinião

Opinião

Omissão

Ouvir
Compartilhar
Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no Whatsapp

Em novembro do ano, relatório da Agência Nacional de Águas (ANA) apontava que ao menos 45 barragens do Brasil estão vulneráveis e podem apresentar risco de rompimento. A maioria das barragens classificadas como vulneráveis estão no Nordeste, especialmente na Bahia e em Alagoas, e mais da metade (25) são de responsabilidade do poder público. Nove já eram consideradas de risco no relatório de 2017, indicando que nada ou muito pouco foi feito para recuperá-las. Os problemas citados são muitos: rachaduras, infiltrações, buracos, vertedores quebrados e falta de documentação que comprove a segurança do reservatório. Já outro relatório, dessa vez da Agência Nacional de Mineração, revela que o Brasil tem hoje quase 200 barragens de mineração com potencial de dano considerado alto ? mesma classificação da barragem 1 da mineradora Vale no Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), que se rompeu no dia 25 de janeiro. O diagnóstico da ANA mostra também que, em 76% dos casos, não é possível saber se a barragem é submetida à PNSB (Política Nacional de Segurança de Barragens) por falta de informação a respeito do equipamento. Criada em 2010 por lei federal, a PNSB tem como objetivo garantir padrões de segurança que minimizem acidentes e os efeitos destes no meio ambiente e nas populações vizinhas às barragens. A fiscalização dos órgãos estaduais e federais é restrita aos reservatórios que se enquadram nos critérios da PNSB. Esse trabalho é prejudicado pelo pequeno número de fiscais. Em 2017, havia apenas 154 funcionários para fiscalizar todas as 4.510 barragens do País, entre estaduais e federais, e nove estados não fizeram nenhuma ação de fiscalização no ano inteiro. Das barragens cadastradas, só 3% foram vistoriadas pelos órgãos fiscalizadores. Agora, após o rompimento da barragem de Brumadinho, órgãos federais e estaduais anunciam que vão vistoriar as estruturas existentes. Infelizmente foi preciso haver uma nova tragédia, com quase 300 vítimas, para instigar o poder pública a cumprir sua função fiscalizadora. Isso mostra que nem sempre o problema é a falta de leis mais rígidas. É imperioso, primeiramente, cumprir as que já existem. Para isso, os órgãos competentes devem ter toda a estrutura necessária. Caso contrário, daqui a algum tempo, uma nova tragédia penalizará o País.

Relacionadas