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Bomba-relógio

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No mar de lama de Brumadinho que ceifou centenas de vidas e causou o segundo maior desastre ambiental nacional, um dos fatores cruciais para o desespero de famílias era a falta de informações sobre o destino dos desaparecidos. Ainda com os helicópteros e bombeiros laborando tenazmente para recuperar pelos menos alguns dos corpos das vítimas, era impossível desconhecer que esta era mais uma tragédia que mostrava o grau elevadíssimo da crise moral brasileira. Mariana em 2015, outro desastre ambiental tremendo, também decorrente de rompimento de barragem, matou 19 pessoas. Brumadinho parecia querer concorrer com o açougueiro humano da boate Kiss, com 242 mortes. Agora, no afogadilho das emoções, ao contrário de Kiss, prendiam-se engenheiros e outros da raia miúda, mas sabia-se que uma conjunção de fatores --- como a ganância de empresários e políticos corruptos, a omissão e a falta de fiscais, são apenas 35 para 790 barragens de rejeitos, na fiscalização das barragens --- é a responsável principal por mais essa tragédia crudelíssima. São 35 fiscais para 790 barragens --- a metade dos assessores de um único deputado federal. Paralelamente, vândalos saqueavam os restos das moradias e instalações que haviam perdido seus ocupantes para a incúria, e para não deixar de comparecer, as fake news, essa praga que assola o País crescentemente desde as eleições passadas e continua impunemente contaminando com sua podridão os nossos melhores salões, contribuíam para apodrecer ainda mais o cenário de horror. Especialistas alertam que temos uma bomba-relógio nesta área: o novo Código de Mineração pode fazer o País retroceder décadas em sua política de preservação ambiental: Minas Gerais, palco dos dois maiores desastres ambientais de nossa malfadada história, tem mais de 400 barragens e a nascente de alguns dos principais rios brasileiros --- Sistema Cantareira, Rio Doce e Paraíba do Sul ---, uma combinação explosiva, caso essa lama alcance suas bacias hidrográficas e lençóis freáticos. Contudo,os mesmos especialistas acenam para a disponibilidade de ferramentas técnicas e institucionais adequadas e suficientes para controlar e evitar novas tragédias,necessitando para isso o não enfraquecimento de órgãos de controle ambientais. A demonização dos ambientalistas faz parte dessa onda anticiência e antilucidez, digna de um hospício, que nos ameaça. A informação correta sempre é fundamental, e a maioria dos colegas médicos precisa se alinhar vigorosamente aos Conselhos de Medicina nacionais e condenar uma minoria que usa inescrupulosamente os fake news. Brumadinho, Mariana, Kiss e muitas outras tragédias são decorrentes do uso da mentira e da pilantragem. A Medicina é um santuário onde as fake news devem ser totalmente execradas e inapelavelmente abolidas. Uma bomba-relógio decorrente de seu uso pode trazer ainda mais desgraças para todos.

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