Opinião
Sucupira, não é aqui

A cidade sempre teve uma presença de ativa participação na cultura e na história de Alagoas. Educação nas décadas de 60 e 70 competia ?pari passu? com os melhores educandários da capital, públicos ou privados. Colégios Pio XII, Cristo Redentor e Humberto Mendes, em qualidade de ensino podemos afirmar eram alto nível. Nunca aquém de Marista, Madalena Sofia, Guido de Fontgalland, Estadual e outras respeitáveis instituições de ensino da capital. Palmeira dos Índios, além de revelar imortais talentos da intelectualidade, à época, também se destacou pela sua representatividade política. Qual o município do interior alagoano que uniu numa só legislatura quatro parlamentares? Nem Arapiraca, com todo o seu crescimento populacional, atingiu esse privilégio. Se houve outro, não me recordo. Sobreviveu aos tempos mais tensos da pistolagem nos anos 50 ao início de 1960. Um período violento, doloroso para algumas dezenas de famílias que não ousavam sair de casa ao anoitecer. Agasalhados para se proteger do frio de 18 graus, no inverno, só tinham o direito de escutar o apito da Maria Fumaça ou o de pisar das botas dos homens da milícia particular do então prefeito do município. Todos protegidos por grossos capotes onde aconchegavam suas afinadas metralhadoras, prontos para cumprirem as ordens do chefe. Menino, curioso observava eu pelas frestas do basculante da casa onde morava, na hoje Praça Monsenhor Macedo, o vai e vem dos mal-encarados ?cuidando? do sono reparador da população assustada. Realidade que ficou para trás, entretanto o tempo não faz esquecer o sofrimento de pais e filhos pela perda estúpida de ente queridos. Infelizmente a lei do sertão e agreste para garantir o poder político era cruel. As notáveis lideranças foram passando e o legado que restou não teve competência para abraçar as oportunidades no cenário educacional, econômico e político. O município foi perdendo o seu glamour. Palmeira dos Índios governada por Graciliano Ramos por dois anos a partir de 1927 e outros respeitáveis gestores ao longo da história, hoje paga um alto preço pela ineficiência de pessoas despreparadas desde muito para minimizar os sérios problemas do cotidiano. O povo sofre, a saúde e educação padecem, o emprego continua difícil. Causa certa apreensão aos alagoanos o teatro a céu aberto exibido pela mídia e nos faz relembrar 1973 quando Dias Gomes escreveu ?O bem Amado? para a TV Globo. A novela que marcou época se passava em Sucupira, governada pelo obsessivo Coronel Odorico Paraguaçu. O prefeito era aquele cara do discurso vazio e retórico, comum nos políticos que lutam por poder a todo custo. ?Isso me deixa bastantemente entristecido, com o coração afogado na deceptude e no desgosto?. Creio que os palmeirenses estão realmente entristecidos e decepcionados com os últimos episódios envolvendo o atual e o gestor anterior. Nas rádios, troca de impropérios, e no jornal local, com direito à foto de capa inteira, manchete em letras garrafais: ?Ladrão é você?. Mestre Graça e tantos outros intelectuais e lideranças do passado devem estar irrequietos no túmulo condenando esse bizarro comportamento. ?Vamos botar de lado os entretanto e partir logo pros finalmente?. É preciso alertar a esses atores que Palmeira dos Índios não é Sucupira. O povo quer saúde, educação, trabalho, honestidade e respeito.