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Opinião

Quem, eu?

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Todos nós já encontramos pessoas gerando expectativas, fazendo promessas e se recusando a assumir as responsabilidades. Acontece nos negócios e nas brincadeiras de crianças, mas no meio político é que esta prática se vulgarizou. Negligenciar riscos é o estilo de algumas criaturas (e também instituições, sejam públicas ou privadas). Elas criam um conflito, se vão e na hora de dividir obrigações, torna-se difícil encontrá-las. É a maneira usual de ação de alguns criminosos: eles querem obter o benefício, embora não estejam dispostos a pagar o preço associado ao perigo que correm. O mais interessante é o povo brasileiro viver de manchetes. São notícias causando apreensão a todos no momento do ocorrido, mas rapidamente esquecidas quando a mídia os reabastece com novos furos de reportagens. Nos dias atuais, a nível nacional, a barragem da mineradora Vale, rompida na cidade de Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte, causou uma avalanche de argila com rejeitos de minério de ferro, atiçando a opinião pública e principalmente as autoridades que passaram a buscar culpados, nunca encontrados e nem poderiam, até porque a resposta de todos é sempre: ?quem. Eu??. Esquecem que pouco tempo atrás no mesmo Estado, a represa do Fundão, pertencente à Samarco (também da mineradora Vale), rebentou, provocando um tsunami de lama, que avançou sobre a bacia do rio Doce. Na prática, os condenados foram só os que morreram, pois as autoridades, quando questionadas, tinham resposta na ponta da língua: ?quem, eu??. Possivelmente, os culpados da tragédia atual perderam suas vidas. Até porque, bloquear um bilhão de reais nas contas de empresas gigantes, como as mencionadas, é quase como retirar dez reais de minha conta bancária. A nível de Maceió, o assunto momentâneo é o Bairro do Pinheiro. Todos buscam transgressores, esquecidos de que tal problema existe há décadas, nada sendo realizado, nem mesmo escutando o clamor dos que habitam na região. Que dizer, então, do Riacho Salgadinho que enlameia diariamente o Oceano Atlântico ou falar das chuvas ocorridas semana passada, não somente inundando ruas e avenidas da cidade, como provocando falta de energia elétrica por exatas cinco horas em inúmeros bairros? Em nenhum momento se pensou nos prejuízos que tais imprevistos causaram à clinicas, hospitais, repartições públicas, etc, até porque de nada adianta pois se a Braskem, Eletrobrás e outros órgãos da administração municipal ou estadual forem procuradas para se pronunciar, a resposta, com certeza seria: ?quem, eu?? Citaríamos milhares de dramas vividos pelo povo do Brasil e que permanecem sem culpados: os incêndios da boate Kiss, em Curitiba e dos Museus da Palavra, Nacional da Quinta da Boa Vista, em São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente... as quedas das barreiras em Bebedouro desabrigando muitos, ou a Avenida Amélia Rosa, na Jatiúca, que afunda todo semestre. E o desastre com o silo da Motrisa, alguém lembra? E a desculpa do Presidente da Vale que em entrevista insinuou que a culpa foi da sirene que não tocou porque foi ?engolfada? pela avalanche de lama!!! São tragédias anunciadas. No final, infelizmente, sempre prevalece o: ?quem, eu??

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