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Outra verdade inconveniente

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A cada semana que se passa, a cada revelação dos estudos técnicos, chega-se a conclusão de que a situação, não apenas do Pinheiro, mas também de outros bairros da região de Maceió, é, de fato, extremamente crítica e preocupante, quanto a possibilidade de seu ?afundamento?, literalmente falando. A pergunta que não quer calar, no entanto, não é se o bairro do Pinheiro será ou não tragado pela terra e sim quando isso ocorrerá. Pode ser esta semana ou daqui a algumas décadas. Vai saber. Os próprios técnicos do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), responsáveis pelos estudos técnicos geológico, geofísicos e hidrogeológicos, sugerem relatórios mais aprofundados, no qual se tenha a exata dimensão das causas do problema, de forma sistêmica e integrada entre os poderes envolvidos, visando encontrar uma solução definitiva neste contexto potencialmente perigoso para os moradores da região. No dia em que ocorrer o evento sísmico, não é preciso ser um especialista em geologia, para concluirmos que, certamente, será uma das maiores catástrofes da história da humanidade e não apenas brasileira. As grandes tragédias que abalam o Brasil e o mundo (no caso do Pinheiro esta assertiva se confirma tanto no sentido literal, quanto no figurado), a exemplo de Mariana e Brumadinho, não são acidentes, visto que acidentes não podem ser previstos, eles simplesmente acontecem sob a égide da fatalidade. Situações como Mariana, Brumadinho ou do Pinheiro, são bem mais complexas do que isso, são crimes cometidos contra o meio ambiente e as populações. Poderiam ter sido prevenidas. Estes tipos de calamidades são, ao meu ver, verdadeiros assassinatos corporativistas. Os devidos responsáveis devem responder cível e criminalmente por elas ocorrerem. A arma deste crime é a negligência. São consequências do abandono, do desleixo e do desprezo dos poderes públicos por problemas incômodos, como foi a denúncia feita pelo documentário Uma verdade Inconveniente, sobre questões ambientais, do ex-Vice-Presidente americano Al Gore, que ganhou a estatueta do Oscar de melhor doc do ano de 2007. Para quem não sabe, a indiferença mata! O interessante é que, reiteradamente, estes grandes desfortúnios humanitários são quase unanimemente protagonizados por grandes empresas e sempre ocorrem em bairros, áreas e regiões habitadas por segmentos mais pobres e humildes da sociedade.O Pinheiro seria uma exceção, pois é um típico bairro de classe média. O poder público tem a obrigação de proteger essas camadas da população periférica, permanentemente em situações de altíssimos riscos, tendo as suas vidas constantemente ameaçadas pelo descaso governamental e empresarial. As autoridades federais, estaduais e municipais têm de ser cobradas, incomodadas e responsabilizadas, caso venha a ser confirmar o pior, pelas consequências do que vier a ocorrer no Pinheiro. O equacionamento para o problema deste bairro e adjacências é, sem sombra de dúvidas, de natureza técnica. As decisões relativos ao problema, entretanto, é eminentemente política. Em Mariana e Brumadinho não há mais o que fazer. São, no mínimo, duas centenas de brasileiros que perderam suas preciosas vidas em frações de segundos. No caso dessas duas cidade mineiras ?não adianta mais chorar pela lama derramada?.

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