Opinião
Por que o mundo está contra Bolsonaro?
A imprensa mundial está alinhada contra Bolsonaro. A lista é enorme e contempla os mais renomados veículos dos mais variados países como: Washington Post, Wall Street jornal. Financial Times, The Guardian, Der Spiegel, Le Monde, El País, Clarín e tantos outros. O que mais assusta é que nessa lista não constam apenas jornais alinhados com o pensamento mais à esquerda, como o The New York Times, mas também a maior parte dos periódicos historicamente ligados a direita, sendo que a crítica mais feroz veio justamente da Bíblia do liberalismo europeu, a revista The Economist. Diante de tal consenso, não nos restam muitas alternativas. Podemos esnobar o planeta e achar que só nós sabemos o que é correto. Essa estratégia, contudo, já deu muito errado no passado, quando Dilma decidiu ignorar os alertas mundiais de que sua nova matriz econômica estava levando o Brasil para o abismo. Podemos, inversamente, acreditar piamente na versão dos gringos e fugir para as colinas. Creio, porém, que há uma forma intermediária de enxergar a questão. É preciso entender o contexto internacional que motiva tal rejeição. O mundo passa por uma onda conservadora que vem elevando candidatos extremistas ao comando de boa parte dos países civilizados. Os perigos, para eles, vão muito além das simpatias racistas e xenófobas desses políticos. O problema é que os populistas europeus vieram para substituir um pool de partidos tradicionais que levaram o continente ao maior desenvolvimento social da história da humanidade. E como bem sabemos, em time que está ganhando não se mexe. Diferente do Brasil, as nações desenvolvidas têm projetos de longo prazo suprapartidários que vêm sendo ameaçados pelos populistas. Donald Trump não apenas chama imigrantes de estupradores, ele retirou os EUA de acordos internacionais históricos, como o que limita as armas nucleares, e abriu uma guerra comercial contra a China, justamente o maior fiador das últimas décadas de prosperidade americana. Acredito que há uma falta de entendimento, pelos estrangeiros, de que a nossa situação é inversa. Nossa base histórica, nos últimos 30 anos, da alternância de poder entre PT e PSDB, resultou em crescimentos pífios e em uma das mais corruptas democracias do mundo. Eles até podem estar certos quanto a Bolsonaro, mas falta-lhes a compreensão de que o PSDB não é o Partido Democrata, nem Lula é um Obama ou uma Ângela Merkel.