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Opinião

O rei sempre será majestade

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O que talvez os alagoanos não saibam é que o projeto do Trapichão não foi criado para Maceió. O engenheiro paulista João Kair, seu autor, atendeu a uma solicitação do Corinthians Paulista, que pretendia construir seu estádio. Ao conhecer o colosso da moderna arquitetura em forma de ferradura, desistiu. Não tinha dinheiro para viabilizar. Afinal, em 1968, Lula não passava de um sindicalista ambicioso, obscuro dedo-duro nos porões da ditadura. Não tinha poderes para presentear o seu ?Curintia? com uma moderna Arena. Aliás, esse conceito de estádio nem existia na época. Só depois de presidente deu um ?jeitinho? para inventar o Itaquerão. Mais de R$ 1,2 bilhão, graças ao BNDES, a mãezona do PT. A convite do Marechal Costa e Silva, então Presidente da República, o governador Lamenha Filho encontrava-se no Rio de Janeiro para uma reunião com o senador Teotônio Vilela, que definiria um ministério para Alagoas. Antes do encontro oficial, João Kair, sabendo da sua presença, solicitou um encontro para apresentar o seu projeto recusado pelo timão. A ideia encantou o governador e seu secretário, Dr. Ib Gatto. Esqueceram a reunião e ?Alagoas perdeu um ministério, mas ganhou um estádio?, afirmaram depois... E que estádio! Os mais velhos certamente lembram os bingos e festivais realizados no local com sorteio de caminhões, jeeps, rurais e fuscas, eventos que contribuíram sobremaneira na captação de recursos para viabilizar o ousado projeto. Comprando cartelas para concorrerem, os alagoanos sonhavam com as atraentes premiações e centenas foram contemplados ao tempo em que ajudavam a angariar recursos para as obras em andamento. Nunca ouvi falar em superfaturamento, propinas e desvio de recursos, sinceramente não lembro de ter visto nas mídias. Em 1970, o mundo do futebol se curvava diante do memorável tricampeonato conquistado pelo Brasil e reverenciava o maior de todos: Pelé. Nosso estádio do Trapiche da Barra, quase pronto, já tinha um nome: Governador Lamenha Filho. Emocionado com o título mundial da canarinha e num gesto de grandeza como político e ser humano, Lamenha abdicou da homenagem e a transferiu para o gênio do mundo da bola, o Rei Pelé. Hoje, alheios à realidade, que só conhecem pela ?magia? das benesses, um parlamentar propõe apagar a história trocando o nome do Estádio Rei Pelé. Aqui pra nós, uma ideia inoportuna e grotesca. A quem interessa ou quem ganha com isso? A premiada Marta é um ícone das Alagoas, sem dúvida, entretanto é desrespeitoso e inconcebível mudar o nome do nosso estádio para Rainha Marta como propõem, simplesmente para agradar, talvez, territórios eleitorais. Marta está para o futebol como Djavan para a música brasileira. É merecedora de todas as homenagens dos alagoanos, inclusive de ser eternizada com seu nome numa nova e futura praça de esportes que poderá vir a ser o sonhado estádio do CSA, seu time do coração. Um Memorial Rainha Marta no Rei Pelé, imortalizando sua belíssima história, seria o início de muitas homenagens que virão no futuro. Trocar o nome do nosso templo do futebol é pura lambança de caçadores de votos. A imensa maioria dos conterrâneos jamais concordaria com tamanha deselegância.

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