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A Quaresma e Bolsonaro

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Quando o papa Gregório I, o grande, além do Calendário Gregoriano, criou a Semana Santa, no ano 609, inspirado nos quarenta dias --- dedicados ao retiro, às privações ,aos jejuns e à profundas reflexões --- que Jesus Cristo passou no deserto, o papa, como homem dotado de extraordinária sabedoria, provavelmente admitiria que esse longo período seria precedido por alguns dias de festas e prazeres mundanos, como o Carnaval. Na noite última de Carnaval, ali no Recife Antigo, acompanhei um do mais belos momentos daquele evento: a cerimônia de iniciação, o desfile pelas congestionadas ruas e a cerimônia de encerramento da jornada do maracatu Cabra Alada, o maracatu urbano mais elaborado da Mauricéia, linda preservação da tradicional cultura nordestina. A poucos quarteirões dali, momentos depois,um entusiasmado grupo de evangélicos com cerca de 100 fiéis, embalados por forte percussão, com um grupo de dança feminino e carros de som , dois pastores comandavam e transmitiam mensagens da Bíblia, sendo acompanhados com a mesma reverência e aplausos dedicados ao maracatu, cuja origem está ligada ao sincretismo religioso. Os evangélicos são da Igreja Obreiros de Cristo, da Imbiribeira, eles também distribuíam folders , cujos destaques eram: ?Não precisamos ser prisioneiros da culpa, em Cristo, somos livres?, e ? Colossenses 2;14: ?E havendo riscado o escrito que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz?. Os jovens pastores que orientavam aquele grupo me informaram que as ferozes críticas e preconceitos conservadores ao grupo são amplamente recompensados pela quantidade de novos fiéis que são coletados durante o período carnavalesco e que aderem à Igreja definitivamente. Aquela Igreja evangélica é de uma vertente inclusiva, que aceita a diversidade inerente ao ser humano, que acolhe e abriga os aflitos e os rejeitados. Uma proposta tolerante, conciliadora e fraterna, como acredito deve ser o cristianismo; assim como a Semana Santa, criada há mais de 1.400 anos e que teve seu apogeu no Brasil, com Dom Helder Câmara, um humanista inigualável, com a criação da Campanha da Fraternidade, agora reiniciada. Nos meus muitos anos de Carnaval, tenho visto muita coisa e uma participação cada vez maior do grupo LGBT, refletindo uma realidade social presente, mas raríssimos e irrelevantes episódios de obscenidade, tal como o presidente Bolsonaro inconsequentemente divulgou nas redes sociais - eles são as exceções das exceções. Presidente Bolsonaro, o Brasil está precisando urgentemente de uma liderança aglutinadora, unificadora e conciliadora, que não nos divida entre ?eles e nós?, como Lula o fez. Use a sua energia para promover a reforma da Previdência e a agenda anticrime, isso é realmente importante, e aproveite os ensinamentos da Semana Santa para refletir, controlar os seus pimpolhos e evitar que mais crises surjam de dentro do seu próprio governo e ameacem o que realmente é fundamental para os brasileiros - as reformas. Um pouco da fraternidade de Dom Helder Câmara só faz bem.

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