Opinião
O país do futuro do pretérito

Na ditadura militar no início dos anos 70, o General Médici, então Presidente da República, repetia com insistência que o Brasil era o país do futuro. Sobrava para tanto otimismo: a economia crescia com taxas de primeiro mundo, acima dos 10%. Era época do chamado ?milagre econômico?, lembram os sessentões de hoje. Passaram-se décadas e continuamos atolados nos mesmos erros somando a outros agravantes mais sérios como a endêmica corrupção que impregnou importantes instituições. Manchou o congresso, desnudou o executivo e coloca sob suspeita uma robusta fatia do judiciário. Cinquenta anos depois, continuamos repetindo o velho chavão, agora com outro ingrediente. O ?eterno país do futuro! ? Este ano os números indicam que perderemos para a Itália a oitava posição no ranking mundial da economia. Completamos o terceiro mês do novo governo sufragado com quase 60 milhões de votos. Inédito na história eleitoral brasileira. Na polarizada campanha vivenciamos cenários inusitados. Jovens, adolescentes inclusive, engajados defendendo com convicção a eleição do Capitão. Bolsonaro, representou o voto do desespero, tudo ou nada. O Brasil precisava escapar da organização que mais estimulou a bandalheira apoiada num discurso populista que iludiu alguns milhões de pobres. No segundo turno a maioria elegeria Tiririca, Renato Aragão, Neymar. Até o Papa-Capim seria forte candidato contra o Haddad. Importante para uma maioria de brasileiros menos fanática era despachar quem tivesse contaminado com o vírus do chavismo, madurismo, castrismo, orteguismo, mugabismo, enfim, as ditaduras aliadas deles. Deu certo, estamos livres! Renovaram-se as esperanças de reacender a velha chama daquele passado quando ainda éramos bem pequenininhos: Agora, sim, voltamos a ser o país do futuro? É bom ?jair? se acostumando com ventos perigosos que sopram em direção oposta. A metralhadora giratória não para de disparar frases tontas que impactam o eleitorado extremista e radical. Portanto, é prudente ficar com uma pulguinha chata por trás da orelha. Estamos acompanhando polêmica por todos os lados que originariamente nascem nas redes sociais em geral vomitando surtos psicóticos sem pé nem cabeça. O objetivo é ferir, magoar, desviar atenção estratégia quando não tem base fundamentada em conhecimento. Agni Shakti, pensador e poeta definiu essa prática com uma frase: ?Na falta de argumento a ignorância usufrui da agressividade e da ofensa como ataque?. Esses três primeiros dias de 2019, têm sido tensos por tantas tragédias cada uma mais surpreendente que outras. O massacre de Suzano deixou o país em estado de choque! Com indignação postei na minha conta do twitter: Porque os Bolsonaros são tão obsessivos por armas de fogo? Porque o Presidente da República, o cidadão mais protegido da país, dorme no Palácio da Alvorada com uma pistola sob o travesseiro, como faz questão de apregoar? Não seria isso um exemplo perigoso para os jovens, os quais alguns milhares até contribuíram para sua eleição? Ou vamos ser o país do futuro do pretérito? Não é demais lembrar que especialistas em violência ouvidos pelo UOL recentemente, avaliam que com a facilitação da posse de armas, ?meta? de governo, o número de unidades no Brasil deve triplicar de 7 milhões para 21 milhões em quatro anos.