Opinião
Viagem à Itália 2
?Um guia de visitante para a Itália deveria conter uma única palavra: OLHAR!?, Rilke, 1898. Sempre há alguém querendo visitar a Itália, porque a metade do patrimônio cultural da humanidade lá se encontra. Atribui-se esse milagre ao concreto romano. Entrei na Itália por Milão. Quatro palavras escancaram o país pra você: Buon Giorno(Bom dia), Buona sera, Grazie(obrigado, graças) e Prego(por favor, peço). São latinos, parecidos com os brasileiros. Iniciamos pelo centro: o Palácio fortaleza dos Sforza, que veio dos Visconti, cuja brasão é macabro: uma serpente engole uma criança. Seguindo a estupenda Catedral construída toda no mármore em quase 500 anos. Há missas e tem 5 naves. Extensão de 100 metros por 55. O esplendor é tanto, tanto... não há palavras. Não vimos a cidade do seu terraço. Atravessamos a galeria Vittório Emanuele, pioneira dos idos de 1846 que junto com o teatro Scala e o palácio Marino constituem três estruturas fundamentais. Deparamos com a praça e no meio desta a estátua de Leonardo da Vinci que no seu pé é rodeado por 4 discípulos. Defronte, o teatro Scala, onde Verdi, Puccini, Richard Strauss e Carlos Gomes apresentaram suas óperas. O Palácio Marino é o único que tem quatro fachadas, feito para um amor jovem de um banqueiro idoso apaixonado. Aos domingos, nada ou quase nada abre na Itália. Milão lembra São Paulo, porém com camadas de história que vem de 600 A.C. e origem Celta. A Santa Ceia de Da Vinci está no monastério Santa Maria delle Grazie. O afresco foi salvo dos bombardeios na segunda guerra por um monge que o cobriu de caminhões de areia. Em 313, Constantino lá emitiu um edito de tolerância a todas as religiões, favorecendo o alvorecer da Igreja Católica Romana. Santo Ambrósio tem uma Basílica a ele dedicada como padroeiro. Intelectual, travou tertúlias ao cume de que ?a verdade não é algo abstrato, imaginada como Platão afirmara. A verdade é concreta e estaria numa pessoa: Cristo?. Desbravar intelectual que soçobra nas mentes comuns. Mas na magnificente mente de Agostinho o converteu. E dessa mente surgiu um arcabouço teológico e filosófico, sustentáculo do viver no Ocidente: o livre arbítrio, sobre a justiça: nunca decida com uma versão dos fatos, ouça o outro lado; sua autobiografia ?Confissões?, que os amantes da leitura devem desbravar. Há trechos antológicos, sobre o tempo, o palácio da memória, as atribulações do desejo da carne e por fim Deus, onde tudo alcança a paz se nele repousa. Milão sobreviveu a tudo e continua das mais ricas do mundo. Também pujante em sua beleza onde se imbricam a antiga e a contemporânea.