Opinião
Seis por meia dúzia

Confuso, polêmico, distante da compreensão de milhões de pessoas de baixa escolaridade. Não há como entender a política nesse trem desencarrilhado, incluindo os ?intelectualmente corretos?. As promessas da virulenta campanha vão ganhando contornos de esquecimento confirmando a histórica da memória curta do povo. O que era euforia virou uma grande confusão de fundo de quintal na casa de mãe Joana. Mudam as caras, mas o legado da lei de Gerson vem junto na mala dos novos que chegam ao ?paraíso?. ?Toma o teu e me dá o meu?. A acusação é do chefão com sua ?refinada? postura no trato com outros. A renovação nos poderes não pari anjos assim, tão facilmente. É duro, penoso, mexe com uma cultura viciada de décadas sobre décadas, de pai para filho, parente para aderente. Haveremos de encarar muitas temporadas de catequese moral e ética até atingirmos um cenário tolerável. Um líder, contudo, deve ter habilidade para conduzir o diálogo com harmonia sem necessariamente rechear o bolo de suborno. Nos cultos religiosos dedicados aos jovens, Dom Bosco, entre tantas expressões reflexivas nos idos de1800, pregava que: ?A verdadeira causa de todos os males é o pecado. O pecado torna os povos infelizes?. Os ensinamentos do religioso não perderam a validade com o passar do tempo. O pecado da ganância, injustiça social, corrupção, preconceitos, intolerância religiosa e violência continua vivo. O pecado da prática política equivocada aprofunda o sentimento de infelicidade no coração do povo. Que essa sujeira não se transforme em desilusão, porque aí, apenas trocamos seis por meia dúzia. Em nenhuma democracia do mundo se governa um país sem conversa civilizada entre parlamento e executivo ou com inserções cretinas em mídias sociais. Esconder-se no escurinho do cinema na efervescência de tensos episódios está mais para capricho de adolescente emburrado; jogar responsabilidade para terceiros é covardia ou nítido sintoma de incompetência. Liberar a venda a granel de armas e abrir as portas do país para estrangeiros invadirem o território sem controle, unilateralmente, mais parece basbaquice para bajular o admirável ídolo americano. O Brasil tem prioridades inadiáveis que não são essas fantasias. Não é republicano o papel de um chefe de estado incentivar a discórdia, dividir a sociedade entre o azul e o encarnado. Assim como é psicomaníaco impor celebração pelo aniversário de um regime que torturou, matou, estuprou, cerceou direito de liberdade, fechou congresso, calou, à força, a imprensa. Cravou cicatrizes para o resto da vida a centenas de famílias com execução de mais de 400 brasileiros com requintes de crueldade. Idolatrar carrascos ditadores como referência de governo coloca o país e o mundo em estado de perplexidade. Da mesma forma que a oposição não pode perder a essência do seu papel fundamental que é fortalecer a democracia com responsabilidade, sem praticar atitudes odiosas. Infelizmente não é um filme de ficção, são cenas reais na vida brasileira, uma loucura que precisa parar já. Milhões de desempregados pedem socorro, tragédias aconteceram e outras ameaçam eclodir; energia e combustível aumentam todos os dias, o déficit habitacional cresce, a economia se abala com os repetidos desarranjos políticos. Basta! Desçam do picadeiro e vamos trabalhar com lucidez pelo Brasil dos sonhos de 208 milhões brasileiros.