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Macei�, ontem e hoje

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JOSÉ MEDEIROS * O que esperar do futuro? Não me lembro se há cinqüenta anos essa pergunta me ocorreu. Sei que durante as cinco décadas que se seguiram assisti a extraordinárias mudanças na cidade e no meio social. Era uma Maceió muito menos agitada, poucos automóveis. Muita gente ainda sentava na calçada à noite para um bate-papo descontraído. Saía-se de casa para ir à Rua do Comércio e se encontrava uma porção de gente conhecida. Naquela época, o ?point? era o Ponto Central. Havia o bar e restaurante Helvética, o Cinearte com suas elegantes sessões de domingo, o banho da Avenida da Paz e, para quem queria ir mais longe, o Gogó da Ema, um coqueiro torto que virou atração internacional. As expectativas de vida eram diferentes das de hoje. Não tínhamos televisão e computadores. De lá para cá, foram, acentuadas as transformações urbanísticas e profundas as mudanças nos hábitos, costumes, na maneira de ver e gostar das coisas. Não tinha bola de cristal que me permitisse ver os acontecimentos futuros. Jamais poderia imaginar que, anos depois, o homem pisaria na lua; o Brasil seria coroado pentacampeão mundial de futebol; as vacinas mudariam os rumos da Medicina e que os transplantes cardíacos trouxessem de volta à vida pessoas sem nenhuma esperança. Clonagem? Genoma humano? Foram t antas as modificações que até parece que todos os séculos se concentraram nestes últimos cinco decênios. Vejamos, a vôo de pássaro: passamos dos bondinhos aos aviões a jato, dos telégrafos aos satélites, das enxadas às supercolhedeiras agrícolas, das bodegas e lojas aos shoppings centers, das máquinas Remington aos computadores. Claro que ainda há milhões que não usufruem os benefícios da civilização, em flagrantes injustiças sociais. Os anos 50, por exemplo, foram marcados por grande evolução musical: a bossa nova, o twist, a beatlemania, o iê-iê-iê, que competiram com os Nelsons Gonçalves e Carlos Galhardos, grandes ídolos até então. No campo da moda, a minissaia virou sinal de rebeldia, sinônimo de emancipação; acentuava-se o choque de opiniões entre gerações. Nessa época, pouco se falava em desemprego, muito menos ainda em globalização, mercado de capitais, dólar nas alturas, vírus da inflação, ?rap? e na ?eguinha pocotó, pocotó...? Com isso, não se quer dizer que tudo fossem flores, um reino encantado, sem fome, miséria ou violência. As dificuldades sempre existiram, mas as coisas eram bem mais fáceis que as de hoje. Parece que o tempo passou tão rápido que é difícil lembrar o que ocorreu ano após ano, a não ser que se tenha um registro dos assuntos. Claro que existem os anos redondos, marcantes, que dificilmente serão esquecidos, como os das Copas, coroados de vitórias. Atualmente, em nossa cidade, pode-se subir num elevador panorâmico e vislumbrar edifícios e avenidas asfaltadas. Quem vive fora de Maceió, melhor observa essas mudanças. Conversei, recentemente, com uma alagoana que mora em Lisboa e há 30 anos não nos visitava. Gostou do que viu. Fartou-se de caranguejos, maçunins, siris e outras delícias gustativas. Reencontrou o calor humano da hospitalidade alagoana, que dificilmente se encontra em países europeus. Apreciou uma outra cidade, bem mais moderna. *MÉDICO E EX-SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO E DE SAÚDE

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