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Ambientalista org�nico

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MOISÉS DE AGUIAR * Estamos, há um ano, sem um dos maiores ambientalistas de Alagoas, o grande defensor do complexo estuarino lagunar Mandaú-Manguaba. Fazemos referência, aqui, ao saudoso Paulo Pedrosa. Surgido numa época em que meio ambiente não era pauta das preocupações da humanidade, onde não se falava em sustentabilidade, eis que desabrocha um personagem com invulgar disposição para defender um ecossistema específico, e o faz com tanta tenacidade que chega a relegar, a um plano secundário, suas atividades voltadas à própria subsistência. Empresário do setor de cerâmica, agricultor, desportista na década de quarenta, quando esteve a presidir o Centro Sportivo Alagoano (CSA), e com uma passagem na política, ocupando uma cadeira na Câmara de Vereadores de Maceió, exercendo o mandato em prol da causa que abraçou com toda a tenacidade. Genro de Alfredo de Maya, homem de expressivo destaque no plano dos negócios e de elevada reputação na sociedade alagoana daquele momento, Pedrosa teve, familiarmente, um comportamento franciscano, desdenhando benesses que poderiam levá-lo, sem maiores esforços, à opulência. Antes mesmo do advento de órgãos públicos para defesa do meio ambiente e da existência de ambientalistas profissionais, estava Paulo Pedrosa a peregrinar nos municípios de Coqueiro Seco, Santa Luzia do Norte, Marechal Deodoro, Pilar e a capital, tendo como reduto estratégico a Fazenda Boca da Caixa, empreendendo verdadeira saga junto à população estuarina que vivia a depender das lagoas para retirar seu sustento. Nos anos quarenta, o mundo ardia em chamas vivendo o epicentro da II Guerra Mundial e Paulo Pedrosa travava sua batalha do bem, na terra dos Caetés; munido de um santo arsenal bélico, vencia a inércia ao criar a Sociedade dos Amigos da Pesca das Lagoas Mundaú e Manguaba antecipando, em décadas, a formulação das ONGs, tão em voga na paisagem contemporânea. Fonte inestimável de proteínas, celeiro do peixe e do sururu, as lagoas Mundaú e Manguaba representavam para Pedrosa seu santuário ambiental, e para estas se voltou durante toda a sua longa existência, trabalhando sem buscar interesses pessoais, projeção política, favorecimentos individuais e fora da onda ambientalista surgida a partir da década de setenta, quando o assunto da sustentabilidade começa a vir à tona, produzindo em escala profissionais do ramo, muitos dos quais exaltados e exacerbados defensores da biota, mais como um meio de projeção na sociedade do que propriamente pela causa ambiental. Além da tribuna da Câmara de Vereadores de Maceió, onde pontificou, Pedrosa escreveu ininterruptos artigos para os principais jornais do Estado, sempre defendendo e exaltando, com argumentos indeléveis e em diapasão veemente, as lagoas, enaltecendo a relevância ambiental, a importância social e o valor econômico que elas representam para a natureza e para Alagoas. O Palácio Marechal Floriano Peixoto foi um dos locais regularmente freqüentado, pois todos os governadores, de várias gerações, tiveram em Paulo Pedrosa um constante consultor das questões inerentes às lagoas Mundaú e Manguaba e seus canais, gravitando as conversas em torno da necessária dragagem, fixação, da barra, do teor de salinidade necessária ao florescimento do sururu, pesca predatória, ocupação inadequada de suas margens, detritos emanados das bacias dos rios Mundaú e Paraíba. Com Otávio Brandão, aquele da antológica obra Canais e Lagoas, Paulo Pedrosa formou, em qualidade, uma aguerrida brigada ecológica em prol das duas principais lagoas alagoanas. Sem formação específica, pois não era biólogo, engenheiro de pesca, liminólogo ou qualquer outra profissão do ramo, apenas o ?Seu Paulo Pedrosa? como o identificavam os pescadores, podemos afirmar, com certeza, que tínhamos um autodidata por excelência, graduado na universidade da natureza a quem, em favor dela, dedicou sua vida. Longe dos laboratórios de pesquisa e das academias, desprovido de diploma universitário, porém um sábio natural, aguerrido na sua obstinada missão ambiental, sem dúvidas, Paulo Pedrosa foi um verdadeiro ambientalista orgânico. (*) É ADMINISTRADOR E ECONOMISTA

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