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Atrevidos Caetés

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Fui honrado com a missão de escrever o prefácio de ?Atrevidos Caetés?, o novo livro de Fábio Lins de Lessa Carvalho, e logo nas primeiras páginas deleitei-me com a narrativa dos encontros havidos entre cinquenta alagoanos e diversas personalidades mundiais, conterrâneos nossos que romperam as barreiras do seu torrão natal, e até mesmo desse imenso Brasil, muitos deles protagonizando lances verdadeiramente impressionantes. Está nessa obra meritória o banquete antropofágico dos Caetés, devorando o Bispo Sardinha em 1556, na costa do litoral sul alagoano. Também estão nela a ousadia de Calabar, fazendo a opção que lhe custou a vida e o escárnio da sua memória; a coragem hercúlea de Ganga Zumba e de Zumbi, defendendo a sua raça contra os grilhões vergonhosos da escravidão; a habilidade política e o preparo intelectual de Sinimbu, Barão de Penedo e Tavares Bastos, brilhando no firmamento do Império; a austeridade de Deodoro e Floriano, consolidando a República recém-instalada; a importância de Góes Monteiro, quase feito sucessor de Vargas; a profundidade teológica de Dom Avelar Brandão Vilela, saído das margens do rio Paraíba para receber o barrete cardinalício e tornar-se Príncipe da Igreja de Cristo. Nise da Silveira revolucionando a psiquiatria, Lily Lages inaugurando a presença feminina na Assembléia Legislativa Estadual, Ladislau Neto dando início aos estudos da botânica, Arthur Ramos criando novos paradigmas na antropologia e Pontes de Miranda, com o seu saber enciclopédico, mudando os rumos da ciência do Direito em todo o mundo. Os quadros de Rosalvo Ribeiro, os instrumentos inusitados de Hermeto Pascoal, a narrativa precisa de Graciliano Ramos, a poesia tocante de Lêdo Ivo, prenhe de emoção e de sentimento ? tudo isso e mais, muito mais, o leitor encontrará nas páginas bem escritas de ?Atrevidos Caetés?, afirmação telúrica do destino espiritual que sempre marcou os nascidos nessa terra. Eu e Fábio Lins somos da mesma geração, ele nascido em 1975 e eu em 1970, ele filho da capital ? embora com raízes em Coruripe ? e eu matuto de Murici, ele acostumado às belas praias do litoral e eu íntimo apenas das águas barrentas do velho Mundaú. Admiro-lhe o ser um homem de ação, filiado à corrente dos ilustres e ousados alagoanos que ele retratou em seu saboroso livro. Os latinos alertaram-nos, séculos atrás: ?Scribendin nullus finis?, escrever não tem fim. Atrevido como todos os conterrâneos que passeiam por estas páginas (no melhor sentido da palavra!), Fábio Lins já assegurou o seu lugar no panteão dos grandes escritores do nosso pequenino Estado; que venham logo, portanto, outras novas obras suas, para o nosso deleite e para o nosso encantamento.

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