Opinião
Mulheres que lutam
Acompanhei e participei da marcha das mulheres, intitulada Mulheres que Lutam, no dia 08 de março de 2019, data em que se comemora o dia Internacional das mulheres. Foi uma longa jornada, que se iniciou na Praça Deodoro e seguiu marchando até próximo ao Papódromo, no entorno da lagoa Mundaú. A caminhada foi arrastando uma massa feminina, gritando palavras de ordem, sobretudo aquelas que reivindicavam a resposta que não quer calar neste momento: quem matou Marielle Franco? A vereadora do Rio de Janeiro foi assassinada há um ano e até agora não se obteve uma resposta consistente, convincente e coerente sobre quem foram os mandantes. Já se sabe que o crime foi cometido pela milícia, e que o miliciano que puxou o gatilho, tirando a vida de Marielle, em uma estranha coincidência, é vizinho de , nada mais, nada menos, do que do Presidente da República Jair Bolsonaro. A marcha que reivindicava um desfecho do caso Marielle, também protestava contra a reforma da previdência, que, em sendo aprovada, será um imenso retrocesso para o trabalhador brasileiro em geral e, particularmente, para a s mulheres, mais especificamente ainda para as mulheres que são trabalhadoras rurais. Isto explica a forte participação das representates do MST nesta marcha das mulheres alagoanas. A comemoração do dia das mulheres, tem uma referência histórica, ocorrida no longínquo ano de 1911, quando ocorreu um trágico incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist, em 25 de março de 1911, na cidade de Nova York, no qual morreram 126 mulheres trabalhadoras, sendo a maioria delas imigrantes europeias e, sobretudo, de origem judia. Mas esta fonte histórica, não encontra amparo na origem da data do 08 de março como sendo aceito mundialmente o dia oficial em que se celebra as mulheres. Este dia foi proposto, na verdade, pela militante socialista marxista e feminista alemã Clara Zetkin, durante a II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, realizada em Copenhage, Dinamarca, no ano de 1910. Filmei, durante a Marcha realizada no Dia das Mulheres, em Maceió, o documentário curta metragem Mulheres que Lutam, que vem a ser o registro histórico deste importante evento de resistência das mulheres que não são apenas recatadas e do lar. São mulheres que Lutam contra o machismo, a misoginia, a violência e a cultura de estupro e de assedio físico e moral, numa sociedade conservadora como a brasileira. O cinema registra histórias fantásticas de grandes mulheres, a exemplo de Julia, de 1977, dirigido por Fred Zinnemann estrelado por Jane Fonda e Vanessa Redgrave, que conta sobre a coragem e a luta de duas mulheres que enfrentaram o nazismo. Outro grande filme também é Olga, com Camila Morgado, Caio Ciocler e Fernanda Montenegro, dirigido por Jayme Monjardim em 2004. O filme conta a história verídica de Olga Benário, comunista alemã do início do século XX, que veio ao Brasil e se enamorou do líder comunista Luís Carlos Prestes, se engajando na revolução comunista que a levou a morte na câmara de gás nazista, após ser presa e deportada pelo Estado Novo. Finalizo com uma verdadeira heroína alagoana de União dos Palmares, chamada Maria Mariá, que revolucionou os costumes de uma sociedade patriarcal, tornando-se uma das mais combatidas lutadoras pela igualdade de gênero em Alagoas e no Brasil. São essa mulheres extraordinárias que fazem o mundo girar e avançar, para que a frase dita pelo pensador Karl Marx, deixe de ser atual, na qual afirma que ?a exploração do homem pelo homem, começou com a exploração da mulher pelo homem?.