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Opinião

Bolsonaro ainda pode desativar a bomba

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A Constituição de 1988 concedeu relevantes poderes ao Executivo, como também conferiu ao Legislativo uma força que na prática limita bastante o uso do poder pelo Executivo, de tal forma que se estabeleceu na prática política nacional ? como assim o é na maioria dos países que tem mais de 2 partidos políticos predominantes ? o modelo do Presidencialismo de Coalização, e mesmo assim, o recurso às medidas provisórias, foi uma constante desde a redemocratização brasileira. Ao vencedor de eleições presidenciais em uma democracia, como Bolsonaro o fez com uma ampla margem de votos, lhe é propiciado à posse dos três pilares que o legitimam e o sustentam: a Força dada pelos eleitores, a Liderança, e a Persuasão.Todavia, eles não são impermeáveis e incorrosíveis ao desgaste das marés . Bolsonaro foi eleito com redundantes 58 milhões de votos , uma parcela dos quais alinhada ao seu perfil ultraconservador nos costumes, ao messianismo, e à radicalização de direita; para essa fração, independente do que ele fale, faça ou o que ocorra com o País , a veneração permanece inalterada. Contudo, uma outra parcela, votou basicamente contra o PT ou por não ter tido opções no segundo turno. O primeiro dos três pilares, a Força, Bolsonaro vem perdendo rapidamente, tanto entre seus eleitores, onde as pesquisas mostram que ele tem perdido apoio em uma média inédita de 5% ao mês, a maior perda de força popular em uma primeira governança nacional; como no Congresso, onde ? e inacreditavelmente! ? por sua livre e espontânea vontade, renunciou ao segundo pilar de sustentação: a Liderança, ao desprezar e entregar para o Congresso a condução da principal tarefa de seu governo ? a reforma da Previdência. Finalmente, o terceiro pilar: a Persuasão. Certamente, aquele para o qual o seu perfil menos foi habilitado em seus quase trinta anos de exercício de mandato parlamentar, pois dos 174 projetos que apresentou, só três foram aprovados, sendo um deles a liberação da inócua pílula contra o câncer, a ?escopolamina?. Evidentemente, estamos falando de Persuasão em um ambiente civilizado e democrático de debates, de contraditórios e comprovações estatísticas, o oposto das raivosas e ensandecidas redes sociais. As redes sociais tem lhe dado uma pseudo-ajuda com os fanáticos radicais, alheios à realidade, e também para desgastá-lo ainda mais, principalmente ao veicular através do ex-astrólogo Olavo de Carvalho e seus olavetes, ofensas e difamações contra os generais do Exército que corretamente seguram seu governo e que não tem recebido nenhuma solidariedade de Bolsonaro contra essas injustificáveis e execráveis ofensas. O Congresso tem uma pauta bomba que já derrotou o governo com o Orçamento Impositivo, e ainda tem no armário a Lei Kandir, a flexibilização da Lei da Responsabilidade Fiscal para os municípios, uma Reforma Administrativa adversa, e principalmente a restrição das medidas provisórias. Embora as desconfianças mútuas predominem, ainda existe espaço para Bolsonaro promover um diálogo justo, pragmático e desprovido de acintes e agressões com o Congresso,objetivando os interesses nacionais e não o de grupelhos fanáticos, na tentativa difícil, mas válida, de recuperar algo dos seus pilares de sustentação, corroídos tão rapidamente. Ser contra isso é querer o quanto pior melhor.

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