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Opinião

Se foi princesa, ainda é majestade

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Li recentemente um texto que remete a um passado não distante e descreve um pouco da história política e cultural de Palmeira dos Índios. Considero oportuno o pensamento do autor, jornalista Pedro Oliveira, porque é de uma clareza inconfundível a decadência de lideranças em um município que sempre ostentou a vanguarda no cenário político alagoano. Foi visível para a nação a performance através da literatura, música, cinema e do teatro. Não esquecendo o respeitado centro educacional e de saúde que por décadas atendeu às demandas da região do agreste e sertão com eficiência e qualidade, inclusive Arapiraca. Lá vivi e aprendi com os meus inesquecíveis mestres. Muitos até já levaram seus ensinamentos para outro plano, deixando-nos um legado de educação, disciplina, solidariedade e respeito, fundamentos essenciais na formação de crianças e adolescentes para enfrentarem os percalços nas longas caminhadas pela vida. Quando reencontro ex-colegas e amigos, impossível dispensar a sessão nostalgia, lembranças dos demais que partiram para habitar em outras terras. A maioria, profissionais vitoriosos! Outros que, infelizmente não tiveram a mesma sorte ou talvez tenham lhes faltado, por ironia do destino, oportunidades palpáveis. Na sua escrita, o jornalista afirma que sente tristeza, não gosta de lembrar-se dos tempos em que a cidade era chamada ?Princesa do Sertão?, ?Paraíso do Interior? e conquistou o título de ?município modelo nacional?. Uma referência para as gestões desenvolvimentistas nos anos 1970/80. Justo quando foram criados os festivais da Pinha e do Amendoim, atrações inseridas no calendário turístico estadual através da Ematur. A verdade é que Palmeira dos Índios perdeu significativamente sua essência de liderança política e berço de cultura, uma característica comum ao seu povo. Enquanto isso, vemos com dúvidas e certa apreensão quanto ao comando do destino da sua gente no futuro próximo. Os gestores e parlamentares mais recentes pecaram pela omissão, inclusive não dando a importância devida às suas maiores personalidades. Graciliano Ramos, com suas obras fundamentais para velhas e novas gerações entenderem a história do Brasil, nunca recebeu a atenção merecida pelo tamanho da projeção que deu à cidade e a Alagoas. Ainda em vida, em 1992, D. Heloísa Ramos, sua esposa, sonhava com a construção do Memorial Graciliano. Para isso se comprometia em trazer do Rio de Janeiro a biblioteca e restos mortais do escritor. O projeto chegou a ser elaborado pelo Instituto Arnon de Mello e aprovado pela Câmara de Vereadores, sou testemunha desse momento. A Praça das Casuarinas foi o local cedido para a edificação. Praça, memorial com biblioteca, museu eternizando-o na terra que governou uma das maiores expressões da literatura brasileira. Um salto de qualidade para o turismo da cidade e consequente geração de renda para importantes setores da economia local: comércio, hotéis e pousadas, bares, restaurantes, artesanato. Falam na criação de um novo projeto já em fase de acabamento. Se verdadeiro e o prefeito tiver liderança e força política para buscar recursos e viabilizar, deixará um marco de imensurável relevância. Pela grande história, o valor do seu povo, Palmeira dos Índios precisa voltar para o lugar de onde nunca deveria ter saído pelo descompromisso de gestões seguidas.

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