Opinião
EDITORIAL: Precarização

Desde 2012 o Brasil vem diminuindo o número de pessoas empregadas com carteira assinada. Com o crescimento do desemprego, aumentou a informalidade e aumentaram também os trabalhos autônomos, os populares ?bicos?, para garantir a sobrevivência. O aumento da participação da renda informal no orçamento das famílias brasileiras já ocorre a pelo menos quatro anos. Pesquisa feita no ano passado pela consultoria Kantar Worldpanel mostra que a fatia dos bicos na receita total das famílias saiu de 15,3% para 16,6%. Nas classes de menor renda, o salto foi ainda maior: subiu de 20% para 24% no mesmo período Em tempos de fraca atividade econômica, o mercado informal surge como uma opção real para esses milhares de desempregados. Nos últimos quatro anos, quatro milhões de empregos informais foram criados no País ? média de um milhão de postos sem direitos trabalhistas por ano, totalizando 37 milhões, ou 40% da população ocupada do Brasil, de 91,2 milhões de pessoas. Em Alagoas, de acordo com o IBGE, 15,9% da população em idade de trabalho está desocupada. Em número absolutos, são 190 mil desempregados, além de 71 mil subocupados. Somem-se a isso os 223 mil desalentados, ou seja, aqueles que simplesmente desistiram de procurar emprego. A reforma trabalhista, que entrou em vigor há pouco mais de um ano, foi anunciada como essencial para criar empregos. Indicadores oficiais mostram, porém, que o impacto na geração de empregos foi pequeno e não houve redução da informalidade do mercado de trabalho. O encolhimento do mercado formal mostra o retrocesso do País. Trabalhadores que conseguiram emergir da condição de extrema pobreza na última década podem mais facilmente voltar a ela. O País aguarda a retomada do crescimento para que os empregos também voltem. Por enquanto, os sinais ainda estão distantes. Apesar de o período mais crítico de uma das maiores recessões da história ter passado, o mercado de trabalho ainda patina. O que se vê é o aumento da precarização do trabalho. É um cenário preocupante, pois a informalidade é a forma mais difícil de conseguir renda, trabalhando mais tempo e sem os amparos e direitos legais.