Opinião
Jesus: a Escolha

A civilização cristã relembra, com indescritível tristeza, uma das mais cruéis atrocidades praticadas contra um ser humano investido de divindade: a humilhante e dolorosa Paixão de Jesus Cristo. Sabe-se que Jesus foi vítima do mais abominável castigo aplicado pelo Império Romano a um ser humano porque, pertencendo ao grupo dos pregadores apocalípticos, ensinava a rivalizante doutrina da presença do Reino de Deus, criticava abertamente o status quo, ou seja, os ?palacianos? políticos e religiosos, em determinados casos desrespeitava a Torá, praticava a comensalidade aberta com bons e maus, condenava a miséria da grande maioria enquanto os sacerdotes levavam uma vida nababesca, também os que aceitavam o jugo romano, realizava feitos miraculosos inimitáveis, dizia que viera a este mundo para nos redimir do pecado, afirmava ser o Filho de Deus e rei, só que alegava que seu reino não era deste mundo e, finalmente, multidões O seguiam e Nele acreditavam. Tais atos e afirmações, somadas ao absurdo ?ataque ao Templo? na época da Páscoa, em que bastava uma microscópica fagulha para que o sentimento de libertação dos judeus explodisse, pois lembravam o milagroso êxodo do Egito, o tornou persona non grata tanto aos olhos dos chefes religiosos israelitas, quanto aos das autoridades políticas e militares romanas. A partir daí, não mais interessava se Ele era um Rabi, um Amen, um Messias ou um Mar. Tinham de escolher entre Ele e a paz, pois se a multidão se rebelasse seria esmagada, sem piedade, pelas temíveis Legiões romanas, as relações entre a cúpula judaica e o Império ficariam para sempre estruturalmente abaladas e, talvez, até mesmo boa parte de Jerusalém fosse destruída sem nenhuma piedade. Portanto, deviam encontrar uma maneira de eliminá-lo, uma vez que representava uma séria ameaça. Enquanto orava no Monte das Oliveiras com tanta angústia que chegou a suar sangue, pedindo, em vão, ao Pai, que O livrasse do que estava para sofrer e seus apóstolos dormiam bêbados, devido à quantidade de vinho consumida durante a Última Ceia, foi ?traído? por alguém que não só pertencia ao seu círculo íntimo como também possuía um cargo importante entre os doze - era o responsável pela ?Bolsa?, isto é, o guardião das economias do grupo. Ao receber ordem de prisão, foi completamente abandonado pelos seus ?fiéis discípulos? ? um deles, apavorado, teve tanto medo que chegou a fugir praticamente nu. Quando conduzido para ser interrogado pelo Sinédrio, o sectário em quem mais confiava negou, por várias vezes, que O conhecia. Levado a presença de Pôncio Pilatos, após breve conversa, ficou sem saber como responder a uma das principais perguntas ? ?O que é a verdade?? ? do tirano Governador. Por quê? Parece-me que a resposta é bem simples: Ele, realmente, não sabia o que responder ou preferiu não falar sobre o relativismo do conhecimento e do que se considera como verdade. Julgado, foi considerado culpado, do ponto de vista religioso, pelo Sinédrio e, do político, por Pôncio Pilatos, a autoridade máxima romana em território judeu ocupado. Esse o motivo, da flagelação e da condenação a pior das penas: a crucificação. O texto bíblico possibilita fornecermos, para os personagens envolvidos no julgamento de Jesus, uma interpretação completamente diferente da tradicional e usual: se JESUS representava o PURO BEM, BARRABÁS não podia representar outro, senão o PURO MAL. Neste caso, quem PÔNCIO PILATOS, representava? Quem é superior ao FILHO e ao MAL, isto é, DEUS, O PAI. Como se encontrava em estado de total exaustão psicológica e física, a guarda romana determinou que alguém ? chamado Simão ? que não fazia parte de seu grupo carregasse não a cruz, mas o patibulum, até o local de sua crucificação: o Gólgota ou Monte Calvário. Foi crucificado ladeado, apenas, por dois marginais, pois seus ?amigos? estavam escondidos com medo de terem o mesmo destino. Um pouco antes de morrer, teve a certeza de que não tinha sido abandonado apenas pelos homens e mulheres que durante anos o seguiram, mas também por DEUS-PAI, pois gritou desesperadamente: ?Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?? Deus o abandonou porque Jesus havia esquecido o que Ele próprio dissera em João 13,16: ?O servo não é maior do que seu senhor...?. Na época, o servo era Ele, JESUS, e o senhor, o Império Romano. Segundo os estudiosos os corpos das vítimas de crucificação eram geralmente deixados para serem devorados pelos animais ou jogados no lixo. Para esconder esta terrível verdade e possibilidade com relação ao corpo sem vida de Jesus, é que nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, aparece o misterioso José de Arimatéia que vai a Pilatos, solicita o corpo e o sepulta numa tumba que ainda não tinha sido usada. Quando, porém, lemos o Evangelho de João, mais duas novidades nos são apresentadas: a primeira, é que Nicodemos também está presente e ajuda José de Arimatéia. A segunda é que ele, Nicodemos, trás, para envolver o corpo de Jesus, juntamente com os panos, ?cem libras de uma mistura de mirra e aloés?. Este fato nos deixa pensativo não só porque esta quantidade de mirra e aloés equivale a 32,8kg (trinta e dois quilos e oitocentas gramas), mas também por sabermos que nesta época tais ingredientes eram utilizados para emplastros curativos, o que sugere a possibilidade de Jesus ter sido retirado da cruz ainda com vida. Contudo, só quando houver mais descobertas arqueológicas sobre assunto tão polêmico e os maiores estudiosos do cristianismo chegar a um consenso sobre a descoberta do Túmulo da Família de Jesus, em Talpioc, um bairro de Jerusalém, que continha inclusive o ossuário com os ossos de Jesus e de Maria Madalena, é que se poderá saber, com maior probabilidade de acerto e ser devidamente explicado o que realmente aconteceu, porque se por um lado as ervas de Nicodemos sugerem uma tentativa de reanimar um Jesus semimorto e os ossos do ossuário, um Jesus que, indubitavelmente morreu, o Santo Sudário e os Evangelhos nos dizem que houve um Jesus cujo negro véu da morte o cobriu, mas ele, indiscutivelmente, ressuscitou. Querem saber quais as consequências da turba ter escolhido Jesus e não Barrabás para ser crucificado? Bem, abra a janela e olhe ao lado, isto é, veja em que tipo de mundo vivemos hoje.