Opinião
Viagem à Itália: Veneza
Dormimos à boca de Veneza. Amanhecidos, adentramos o Grande Canal! Olhar de câmera, esplêndida Veneza! Visão que se derrama das retinas. ?Não se sabe mais se Veneza está debruçada sobre sua aparência ou cativa dela. Parece nascer de um sonho e você dentro dele. O céu e água são cúmplices. O céu está na água, a água está no céu. No fim de uma parede gredosa, veem-se ao longe linhas horizontais e escuras. São a dobradiça entre o céu e a água. Cada casa é separada das outras por uma lacuna que a cerca. Elas estão e não estão juntas. A cidade se furta a uma visão de conjunto, foge e empurra-o a se perder no detalhe?,( Sartre, ?Rainha Albermale ou o último turista?). O primeiro lugar visitado foi a fábrica de cristais de murano. Gastei trezentos e cinquenta euros em taças e fui ameaçado pela cólera da filha: faltará dinheiro para Paris. Apeados do barco, avista-se ?o palácio mais belo do mundo?: o dos Doges.Símbolo do gótico veneziano, construído entre 1309 e 1424. Sede atual do Museu do Palácio Ducal, onde residia o Duque(Doge). No primeiro andar Chancelaria, escritórios de advocacia, os Censores e o Escritório Naval. No segundo, a Grande Câmara do Conselho, a de Votação e os apartamentos do Doge. No terceiro, a Sala del Collegio, ricamente adornada, teto dourado e o Paraíso esplêndido de Tintoretto; por fim a de receber embaixadores. Outra para reclamações dos cidadãos. Na parte traseira estão a prisão e a ponte dos suspiros, de onde os condenados à morte tinham a última visão do mundo exterior . Não houve tempo para perder-se nas vielas e encontrar cada segredo. Veneza era uma República em 1300 e 76 Doges a governaram até que Napoleão apreendeu e incendiou todos os barcos incluindo o Bucentauro( galera oficial dourada do Doge, onde embarcava anualmente para celebrar a festa de Veneza na Ascensão do Senhor). Como tudo é efêmero! A cidade está iniciando seu definhar. As genialidades ali nascidas constituem sua jactância : Tintoretto, Ticiano, Vivaldi,Albinoni, Barbaro. Dois mercantes venezianos em 828 levaram o corpo de São Marcos Evangelista, para a cidade de Veneza, onde descansa na Basílica a ele dedicada. A burla consistiu em cobrir de carne de porco, a parte superior do caixão, evitando chegar ao corpo do Santo na parte inferior, sustando a fiscalização árabe que abomina carne suína e jamais permitiria sua saída, pois desejavam queimá-lo. A Praça de mesmo nome, ocasionalmente inundada pelo mar Adriático é circundada pelos edifícios: Palácio Ducal, a Basílica, Torre do Relógio, Procuradoria, Ala Napoleônica, campanário, e a Biblioteca. A praça se estende e vai até as margens da Laguna, onde estão duas grandes colunas, coroadas pelo Leão, símbolo da cidade e a outra por estátua de São Teodoro. Um milhão de estacas foram cravadas para erigir a belíssima Basílica de Nossa Senhora da Saúde que extinguiu a peste. As gôndolas. As vielas. Veneza...Bela! Única!