loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

EDITORIAL: À deriva

Ouvir
Compartilhar

Em seus primeiros quatro meses, o governo Bolsonaro acumula dois ministros da Educação, mas a pasta continua a ser uma das mais envolvidas em problemas e polêmicas, situação marcada por disputas internas entre alas distintas, como a técnica, a ideológica e a militar, e por nomeações a cargos-chave que não se concretizaram. Após uma série de desgastes ? projetos emperrados, demissões em série ?, o colombiano Ricardo Vélez foi substituído pelo economista Abraham Weintraub, sem experiência alguma em gestão educacional, mas a situação pouco mudou. O ministério corre o risco de continuar paralisado. Esta semana, Weintraub anunciou o corte de 30% nas verbas para universidades e institutos federais, o que, na prática, poderá inviabilizar seu funcionamento. O Ministério da Educação é um das mais importantes do governo e responsável pela política educacional que norteia o trabalho das 184 mil escolas em todo o País e pela aplicação de provas como o Enem ? principal porta de entrada para o ensino superior ?, entre outras atribuições. Somente na Educação Básica, o Brasil tem 48,8 milhões de estudantes. Desses, 39,8 estão no ensino público. São 186 mil escolas onde trabalham 2,2 milhões de professores. A rede pública de ensino tem problemas bem concretos: infraestrutura deficiente, a formação dos professores é precário e muitos lecionam sem a formação específica. Quase 600 mil crianças estão fora da sala de aula. Na faixa dos 14 aos 17 anos, esse contingente é de 1,7 milhão. Também a qualidade da educação tem tido pouco avanço. Segundo dados do IBGE, em 2017 a taxa de analfabetismo atingia 7% da população. Em números absolutos, são 11,5 milhões de brasileiros nessa situação. Por tudo isso, é preciso que o Ministério da Educação deixe de lado questões periféricas e se concentra no que realmente é necessário, como a questão do modelo de financiamento do ensino básico, que está prestes a expirar, e a realização do Enem, que corre o risco de atrasar este ano por problemas operacionais. O País já perdeu um tempo precioso com polêmicas desnecessárias. O MEC precisa de um choque de gestão que garanta a boa aplicação dos recursos em políticas que melhorem a qualidade do nosso ensino.

Relacionadas