Opinião
Muito contrabando

O conceito do liberalismo assumiu tamanha proporção, empurrado pela grande mídia hegemônica nativa e global, que como toda a avalanche saiu devastando e soterrando, em geral, os sentidos das coisas e seus fundamentos. O promotor dessa ?onda? avassaladora, o Mercado financeiro, especialmente o rentismo predador, anda nadando de braçadas na época atual em, quase, todos os lugares do mundo, provocando crises econômicas, sociais e políticas, que sacodem as nações e os povos por quase todos os quadrantes da Terra. O liberalismo financeiro hoje está associado ao liberalismo político e, como tal, transforma-se em uma visão de mundo, e assim você é um liberal na política como na economia. Democracia liberal passa a ser sinônimo de democrata. Dessa forma ou se apoia a demanda liberal ou não se defende o sistema democrático. Esse é um dos maiores engôdos da atualidade porque as pessoas ficam presas a um modelo específico. Nos dias atuais, o liberalismo econômico se traduz como adesão ao sistema financeiro dominante, desde a adoção do padrão dólar sob a hegemonia do rentismo predador, que já levou a várias crises globais, inclusive a de 2008, como as subsequentes. É a linha financeira adotada pela primeira-ministra britânica Margaret Thatcher e o presidente norte-americano Ronald Reagan, durante a década de setenta passada, que desregulamentou brutalmente a economia em favor do capital financeiro, especialmente o predador, e levou à ruína a economia das nações e em consequência à crise geral do emprego, do trabalho, em escala global. Associar democracia ao liberalismo é mais que uma confusão, é uma farsa intencional. A democracia real é aquela que respeita o sistema representativo, onde existe a prevalência das normas constitucionais, sob a coexistência de três poderes, o legislativo, executivo e o judiciário. Quer dizer, um presidente eleito, ou primeiro-ministro, que exerce o governo com o equilíbrio do Judiciário e do Congresso Nacional. Essa é a democracia representativa. Acrescentar o ?liberal? ao caráter representativo é associar a democracia ao liberalismo econômico, ou, como hoje, ao neoliberalismo financeiro como cláusula pétrea. Nesse sentido, o presidente Roosevelt que tirou os EUA da catastrófica crise financeira, social de 1929, sob a orientação de Keynes, economista inglês, soerguendo a economia norte-americana, com base no mando da política sobre o capital financeiro, não seria, nos padrões atuais, um democrata, mas um ?populista?, ou coisa pior. Assim como os governos trabalhistas britânicos antes da era Thatcher, que materializaram aos seus concidadãos, o desenvolvimento com um invejável padrão social no mundo ocidental. O crescimento econômico, a liberdade individual, combinada à solidariedade em comum de todos os cidadãos, foi substituída pelo individualismo excludente, ?tribal?, ?cada um na sua?, e na economia a tragédia econômico-financeira, o salve-se quem puder. A ofensiva da grande mídia, nas redes sociais, que visa à Reforma da Previdência, privatizações de empresas estratégicas nacionais, é de tal porte que até setores da ?esquerda? embarcaram na onda do liberalismo econômico, ou do político. É muito contrabando.