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Guedes e a nova recessão

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Enquanto o dedicado e transparente ministro Guedes prestava novo depoimento ao Congresso e alertava que o Brasil ?está no fundo do poço?, na situação econômica/fiscal, e precisa urgentemente aprovar a reforma da Previdência para iniciar a busca por um equilíbrio nas contas públicas, a poucos metros dali, o deputado Eduardo Bolsonaro alardeava ?o Brasil, para ser mais respeitado, precisava ter bombas atômicas para intimidar os inimigos, mas também a China e a Rússia?. Guedes não estava fazendo proselitismo: logo depois, o Banco Central (BC) liberou a sua última ata, em que descreve a contração da economia brasileira no 1º trimestre de 2019, interrompendo uma sequência de recuperação da economia, com crescimento negativo do PIB de 0,64%, incluindo setores anteriormente sobreviventes, como o de serviços. O índice de inadimplência chega aos incríveis 64%, não se vê recuperação do consumo, e o alto nível de desemprego persiste Guedes, que forma com o ministro Moro e os militares o tripé de credibilidade, respeitabilidade e equilíbrio do governo, contudo e incrivelmente, está sob fogo cerrado da ala radicalizada e ideológica do bolsonarismo, com o aval do tuiteiro Carlos , seu esotérico guru Olavo de Carvalho e seus seguidores, que desencadeiam sua guerra particular contra quem possa ameaçar o ?mito?. Em recente tuíte, Carlos explicita esse temor ao dizer que os elogios ao ?ótimo? Paulo Guedes visam enfraquecer seu pai. Os superministros Paulo Guedes, Sérgio Moro e os militares que fazem parte do governo ? para esses radicais ? precisam ser contidos, enfraquecidos como forças políticas, para que se destaque apenas a figura pessoal de Bolsonaro. O projeto irracional pretende transferir ao presidente, e a mais ninguém, os êxitos alcançados. Guedes, lucidamente, sempre esteve alicerçado no pensamento de Bertrand Russel: ?É possível estabelecer, de forma ampla, que o irracionalismo, ou seja, a descrença no fato objetivo, surja quase sempre do desejo de afirmar algo para o qual não há evidência, ou de negar alguma coisa para a qual existem evidências muito boas?. O editorial do jornal Estadão de 12/05, consubstanciado na ata do BC: ?DE NOVO À BEIRA DA RECESSÃO?, alertava: ?Não foram os economistas de esquerda, especuladores, consumidores mal humorados, a mídia golpista ou inimigos da civilização cristã ocidental os responsáveis por essa situação crítica que o Brasil enfrenta?. Como lamentou publicamente o presidente da Comissão Especial que examina a reforma da Previdência, ?o maior inimigo da reforma da Previdência é o governo?. A disputa entre insanidade e despreparo do governo se expressa na incapacidade de formar uma base aliada mínima no Congresso, o que, pela popularidade inicial e pela força dos votos de Bolsonaro, não precisaria ser fisiológica ou o ?toma lá da cá?, mas uma relação respeitosa, republicana, onde a política não é necessariamente corrupta, mas adequada e honestamente compartilhada em suas dificuldades e bônus. O alerta de Guedes foi concreto, mas não tanto quanto o do Estadão. Estamos em vias de uma nova recessão, e os radicais aloprados são os principais responsáveis por isso.Para evitar a tragédia, cabe ao presidente da República tomar as providências inalienáveis ao cargo para o qual foi eleito.

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