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EDITORIAL: Vidas em risco

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O presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais esta semana, como costuma fazer, para anunciar algumas medidas que pretende tomar em relação às regras de trânsito. Bolsonaro pretende encaminhar ao Congresso projeto de lei ou medida provisória ampliando o limite de pontos que cada motorista pode acumular ao longo de ano por infrações cometidas. Atualmente são 20, mas o presidente quer aumentar para 40. Também é intenção do presidente desativar todos os radares de velocidade instalados em rodovias e acabar com os radares móveis. Em sua avaliação, não há relação entre o uso de radares e um trânsito mais seguro. Não é o que pensam organizações que reúnem especialistas em mobilidade urbana, pedestres, ciclistas e defensores da redução da violência no trânsito. Em nota, 33 entidades avaliam que a medida só beneficia os maus motoristas, coloca milhões de vidas em risco e contraria estudos técnicos e medidas adotadas em todo o mundo para a redução de acidentes e mortes no trânsito. De acordo com um levantamento da ONU, o Brasil é o quinto país com o trânsito mais violento do mundo. São mais de 200 mortes para cada 100 mil veículos. Além da perda de vida, há a questão econômica. Estima-se que as ocorrências representem um prejuízo de R$ 11 bilhões aos cofres públicos, além de outros R$ 7,7 bilhões de gastos com o tratamento dos feridos. O cálculo inclui gastos com saúde e previdência, além dos ganhos potenciais das vítimas ao longo da vida. A posição de Bolsonaro ignora o posicionamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera o combate à velocidade excessiva como medida fundamental na busca por cidades seguras, saudáveis e sustentáveis. As medidas recomendadas pela OMS incluem estabelecer limites de velocidade adequados à função de cada via; aplicar limites de velocidade por meio da utilização de controles manuais e automatizados; conscientizar sobre os perigos da velocidade. Uma política eficaz de redução de acidentes deve incluir estradas bem conservadas e sinalizadas, leis eficazes, fiscalização rigorosa e melhor preparação dos condutores. Medidas populistas vão sempre no sentido contrário..

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