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Opinião

Mudança de hábito

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Semana passada, escrevi sobre aniversários que já vivi. Ainda embalado em tais meditações, relembro alguns episódios marcantes em minha existência, levando-me a realizar comparações entre o outrora e o atual. Apesar de naquela época tudo parecer demorar a acontecer, constantemente sonhava com a chegada de mais um dia em que nasci. Mentalmente concebia uma lista de convidados e imaginava os possíveis presentes a receber. Recordo, independentemente da idade, me sentia quase como uma criança ao aproximar o vinte um de maio, sempre tão importante para mim. Hoje as coisas mudaram. Em tempos de instagram, facebook e whatsapp, a comunicação entre os homens aumentou, as distâncias encurtaram, a privacidade se esvaiu e o dia de minha chegada ao mundo, apesar de continuar alegre, chega a ser estressante. Se antigamente somente os amigos da rua, do colégio e parentes mais próximos me abordavam com o intuito de parabenizar, atualmente, as redes sociais me aproximam de todos os que desejam demonstrar a sua lembrança. Se nos anos passados, muitos cumprimentos chegavam às minhas mãos através de cartas, telegramas e até cartões que podiam ser lidos em momentos especiais, fazendo restar tempo para conversar com os convivas, lhes oferecendo a atenção merecida, hoje tudo ocorre de forma instantânea e os milhares de plin-plins ou zumbidos provenientes do smartfone, exigem minha atenção quase de modo integral, para atender ligações telefônicas e responder mensagens as mais variadas, a grande maioria delas, sinceras. Justamente por este motivo, ao aniversariar, opto por permanecer em minha residência, para poder me deliciar, como as felicitações recebidas sem parecer desatento com os que me cercam. Naquele tempo, ao ler correspondências de pessoas queridas, muitas vezes encantava com o perfume, ainda inundando as páginas manuscritas que estavam em minhas mãos, e também me sentia simbolicamente apertado por abraços, não aqueles do estilo estrela cadente, mas os que acalmam, afagam, inspiram e acima de tudo, um dia, ajudaram a forjar em meu coração a esteira da maturidade, orientando a caminhar em busca da realização pessoal. No presente século, em tempos de internet onde os textos em geral são mais coloquiais e menos literários, as mensagens eletrônicas que nos chegam, são rápidas, curtas e muitas vezes até padronizadas, mas apesar de não trazerem o odor das rosas ou um carinho gostoso, ainda assim, personificam a valiosa delicadeza de quem as enviou. Hoje, experiências como as supracitadas, são verdades estruturantes de minha biografia, todas quase sempre valorizando a saudade, como verdadeiro alimento da alma que teima em me impedir de esquecer, por entender que se estamos saudosos, é porque de alguma forma, em momentos da vida convivemos com a felicidade. No presente esforço-me para tratar a alegria como algo necessário para a sobrevivência.

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