Opinião
EDITORIAL: Articulação
Confirmando as previsões pessimistas, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu 0,2% no 1º trimestre, na comparação com o último trimestre do ano passado. Os dados foram divulgados na quinta-feira (30) pelo IBGE. Trata-se da primeira queda desde o 4º trimestre de 2016 (-0,6%). Além de interromper a trajetória de recuperação da economia, que já vinha em ritmo lento, o PIB negativo no 1º trimestre traz novamente o risco de volta da recessão. O desempenho fraco da economia nos últimos meses, a queda dos índices de confiança de empresários e consumidores e as incertezas em relação à tramitação da reforma da Previdência no Congresso têm levado analistas e instituições a revisarem para baixo suas previsões para o PIB de 2019. O ministro da Economia, Paulo Guedes, tem insistido que, para o Brasil atingir o ?sonho do crescimento?, é preciso aprovar reformas estruturais, como a da previdência e a tributária, para reduzir o endividamento do governo e colocar a economia de volta aos trilhos. O fato é que o governo tem dificuldade de articulação política,o que acaba gerando uma crise de confiança que abala o ânimo do mercado, empresários e investidores. Enquanto isso, o País assiste a momentos de tensão e disputas de poder em Brasília. Aliados do presidente chegaram até a defender o fechamento do Congresso e do Supremo. Para tentar mudar esse cenário de instabilidade, Bolsonaro propôs, esta semana, um ?pacto de entendimento e metas? entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, a ser assinado até 10 de junho, a favor de reformas. No entanto, apesar da foto posada dos chefes dos poderes, há dúvidas sobre a eficácia dessa ideia. Alguns dizem que o presidente ainda está fazendo muito pouco para acabar com os embates políticas desnecessários. Também há o temor de que o acordo comprometa a independência do Judiciário. Parece haver consenso de que, como afirmou o ministro Paulo Guedes, o País está no fundo do poço e que não há saída sem reformas estruturais. Diante disso, porém, é preciso que o presidente assuma o papel de liderança política forte o suficiente pra fazer o Brasil ter uma agenda de reformas em andamento e não caia na tentação de tentar governar o País sem o Congresso e sem o diálogo com as instituições democráticas.