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Opinião

PACTO PELA RAZÃO

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Nos momentos de crise, é frequente que sejamos dominados pela emoção e passionalidade, que podem nos guiar por caminhos tortuosos, nos quais deixamos de lado a racionalidade e acreditamos ter certezas arrebatadoras. Esses caminhos, invariavelmente, nos levam ao abismo. Dominados por sentimentos, e não pela racionalidade, estamos lidando agora com as causas e consequências dos eventos geológicos nos bairros do Pinheiro, Mutange e Bebedouro. Não é de espantar que ajamos assim. Afinal, são inúmeras as famílias que já tiveram de deixar suas casas e o convívio de amigos e parentes na vizinhança. E ainda não se sabe quantas mais terão de ser relocadas quando a Defesa Civil Nacional e Prefeitura de Maceió divulgarem o tão esperado Plano de Ação Integrado (PAI). Do outro lado da questão, outras milhares de famílias de trabalhadores se inquietam com a possibilidade real de a Braskem deixar o Estado. Este cenário, o fim das atividades da empresa por aqui, traria impactos relevantes também para a cadeia produtiva da química e do plástico, e para fornecedores de insumos e serviços, como Algas e Equatorial Energia. Os impactos econômicos e sociais advindos da paralisação das atividades da empresa seriam sentidos ainda por muito tempo. E Não estamos nos referindo apenas aos impactos econômicos, mas também aos empregos que Alagoas e o Brasil tanto precisam neste momento da vida nacional. Esses todos são dramas humanos, pessoais, aos quais se somam ?dramas institucionais?. Temos a garantia técnica de que é preciso fazer a relocação do total de pessoas? Todas as causas dos problemas foram levantadas e as soluções para elas endereçadas. A segurança dos moradores estaria garantida com estas medidas? As pessoas poderão voltar ao bairro? E as operações da Braskem, tão importantes para o Estado? Há como serem retomadas? A única forma de resolvermos todas essas questões é nos debruçarmos sobre o assunto com racionalidade. As causas dos eventos na região ainda precisam ser definidas com rigor científico, profundidade e clareza, para que não reste a mínima dúvida na implementação de soluções. O Serviço Geológico Brasileiro (CPRM) publicou um relatório, que até agora não se transformou num laudo. A empresa aponta contradições importantes nesse relatório. A Prefeitura de Maceió e o Governo do Estado atuam de forma reativa a todo este grande problema. O Judiciário, através de suas várias instâncias, exerce poder fiscalizatório e punitivo. Todos atuando isoladamente e procurando atender a um dos lados da questão. Passado mais de um ano do surgimento do problema, esse tipo de atuação, não parece ter nos levado ao encontro das soluções desejadas para os moradores daqueles bairros e da sociedade como um todo. Estamos vivenciando uma batalha jurídica, institucional e política. O verdadeiro jogo do perde-perde. Já perdemos todos. Em pauta neste momento está um pacto pela razão. Só ele nos desviará do abismo.

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