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Editorial: Agricultura falida

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A saída de Ronaldo Lessa do comando da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura do Estado expôs mais debilidades do governo Renan Filho. Não demorou muito para o ex-governador e o PDT chegarem à conclusão de que estavam perdendo tempo na Pasta, que deveria ser tratada pelo Palácio como uma das mais prioritárias para fazer avançar nosso desenvolvimento. Quando Lessa tomou posse, no dia 12 de março passado, Renan Filho, em ritmo de segundo mandato, assim afirmou: ?Vamos garantir o fortalecimento da produção?. Acreditando na palavra oficial, o novo secretário reiterou a importância do cooperativismo e da agricultura familiar, bem como do agronegócio. A ideia também passaria por tornar produtiva a área agricultável já banhada pelo Canal do Sertão, uma das mais importantes obras federais em Alagoas e cujos projetos complementares, sob obrigação do Estado, ainda não saíram do papel. Lessa deixou a Secretaria por falta de apoio. O governador não viabilizou os meios para fazer acontecer o que o próprio trombeteou em seu universo midiático virtual. Na vida real, a Pasta da Agricultura encontra-se falida, em petição de miséria, com orçamento congelado há muito tempo. Ano passado, ao apresentar sua proposta e registra-la na Justiça Eleitoral, Renan Filho não destinou sequer uma linha de texto ao setor público agrícola alagoano. Talvez o plano seja mesmo ignora-lo, tratando-o com migalhas. É lamentável que assim seja. Estudo da Seplan sobre a agricultura familiar em Alagoas, coordenado pelo economista Cícero Péricles, já revelara a importância desse segmento produtivo, que massivamente absorve mão de obra rural. O estudo, que nasceu para orientar as intervenções oficiais em prol do crescimento da produção, apontou a necessidade da assistência técnica, da extensão rural, do financiamento e da comercialização como indispensável à modernização dos processos produtivos. Nada de novo aconteceu. As oportunidades e as divisas, que poderiam ter sido geradas para fazer frente ao desemprego, ficam para outro momento da história.

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