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Meritocracia, nepotismo e a corrupção

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Muitas das questões mais polêmicas no governo Bolsonaro decorreram do cumprimento de pressupostos compromissos de campanha do presidente da República,e mesmo que atualmente elas tenham a maioria da população as rejeitando, como a liberação da posse de armas e a desestruturação do Código Nacional de Trânsito ? para ficar só com dois exemplos ? elas têm sido defendidas ferrenhamente como compromissos e portanto, precisam ser cumpridos . O kit eleitoral do candidato Jair Bolsonaro continha um conjunto de promessas que seduziu significativa parcela do eleitorado: um Brasil novo,onde a velha política seria abolida, intolerante com a corrupção e onde os cargos públicos seriam ocupados por mérito e não por indicações políticas. As velhas e detestáveis indicações políticas ? desprovidas de mérito ? para ministérios e demais órgãos federais seriam definitivamente abolidas: seria a instalação da MERITOCRACIA no Brasil.A indicação de Bolsonaro para que seu filho ocupe a embaixada brasileira nos EUA,a principal do País, destrói esses compromissos. Quais as qualidades e méritos do filho 03 que o distinguem de outros imensamente mais preparados no Itamaraty, além de ser seu filho? Se não fosse seu filho, seria indicado? Nas empresas, a meritocracia é uma forma de motivar os funcionários, que se dedicam em suas funções em busca de alcançar melhores oportunidades como consequências dos méritos apresentados; no serviço público é um sonho brasileiro adotar a meritocracia como base para a sua hierarquização e consequente melhoria de seus serviços ao público. Todavia, alguns sociólogos, filósofos e intelectuais ignoram a meritocracia como um sistema justo de hierarquização, pois a ascensão profissional ou social não depende exclusivamente do esforço individual, mas também das oportunidades que cada indivíduo tem ao longo da vida. As pessoas que nascem com melhores condições financeiras, com acesso às melhores instituições de ensino e contatos profissionais exclusivos, têm maiores chances de conquistar uma posição privilegiada em relação àquelas que não tiveram esta mesma ?sorte?. Mas o esforço pessoal será sempre um fator determinante. O socialismo e demais ideologias que pregam o conceito de sociedade igualitária, tão execrados por Bolsonaro e devotos, se opõem à meritocracia. Para eles, a ideia de incentivar o sucesso baseando-se no individualismo faz com que cresça a desigualdade social e o ?Darwinismo social?. Meritocracia é ?o poder do mérito?. De acordo com a definição ?pura? da meritocracia, o processo de alavancamento profissional e social é uma consequência dos méritos individuais de cada pessoa, ou seja, dos seus esforços e dedicações. As posições hierárquicas estariam condicionadas às pessoas que apresentam os melhores valores educacionais, morais e aptidões técnicas ou profissionais específicas e qualificadas em determinada área O maior inimigo da meritocracia é o nepotismo. A Controladoria Geral da União (CGU)oferece um parecer claro :?O Nepotismo ocorre quando um agente público usa de sua posição de poder para nomear, contratar ou favorecer um ou mais parentes?. O nepotismo é vedado, primeiramente, pela própria Constituição Federal, pois contraria os princípios da impessoalidade, moralidade e igualdade. Algumas legislações - pura filigrana jurídica - de forma esparsa, como a Lei nº 8.112, de 1990 também tratam do assunto, assim como a Súmula Vinculante nº 13, do Supremo Tribunal Federal.No âmbito do Poder Executivo Federal, o assunto foi regulamentado pelo Decreto nº 7.203, de junho de 2010. Essa questão transcende a seara jurídica, é moral e ética, como também política: o presidente da República demonstra novamente a sua vocação autocrática e antirrepublicana, e nesse contexto de fomentar privilégios para familiares, paralelamente, tenta-se institucionalmente abafar qualquer investigação sobre o outro filho, o senador Flávio Bolsonaro,o 01, acusado de várias ilicitudes. Até onde irão os privilégios da família Bolsonaro? Até ameaçar parar a Lava-jato e o combate à corrupção no Brasil?

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