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domingo, 31/08/2025 | Ano | Nº 6044
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Opinião

Voo do fumacê

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Retornando das múltiplas imprevisíveis viagens para São Paulo nos últimos anos, na quarta-feira (17) à noite lembrei-me de inesquecíveis momentos do passado. Embarcando em Guarulhos, por acaso, um filme na memória relembrou fatos inesquecíveis. O velho acanhado Aeroporto dos Palmares, hoje o Internacional Zumbi dos Palmares foi um deles. Projeto vitorioso executado pelo então Governador Ronaldo Lessa, no ano de 2005. Aliás, avaliado recentemente em pesquisa do Ministério da Infraestrutura como o melhor do Nordeste. Comecei a voar muito cedo, nos anos 70, graças à atividade no rádio transmitindo futebol, percorrendo o Brasil de norte a sul e definitivamente exercendo a publicidade. Éramos um mercado limitado de recursos tecnológicos para a produção de jingles e vídeos para a televisão recém-chegada no Estado. Obrigatoriamente viajávamos para Salvador e Recife que já eram praças mais evoluídas. Entretanto, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, sem dúvidas, tinham os melhores estúdios com grandes talentos em direção de cena e fotografia, edição e equipamentos avançados, muito longe do alcance dos investimentos locais. Era para lá o nosso destino, rotineiramente, e o resultado desse cuidado com a qualidade técnica e criativa nos proporcionou a conquista de muitos prêmios em festivais publicitários. O que o passado nos trouxe de volta à lembrança foi o charme de viajar de avião aquela época! Tempo do sufocante Darth Herald da Sadia, uma pequena aeronave que iniciava seu plano de voo diariamente em Recife e terminava doze ou mais horas depois de pousar em várias escalas como Maceió, Aracaju, Salvador, Vitória, Rio, São Paulo, Florianópolis e Porto Alegre, seu destino final. Mais tarde cedeu espaço para os primeiros avançados boeings da Transbrasil, Vasp, Varig e Cruzeiro, empresas importantes que, infelizmente morreram para sempre. Pequenos detalhes marcaram as viagens de aviação de décadas atrás. As decolagens ocorriam no início das manhãs, mais ou menos às sete e cinquenta horas e os passageiros viajando a negócios eram levados para o aeroporto acompanhados de toda a família. Beijos, abraços, despedidas efusivas, mesmo que a ausência durasse apenas três ou quatro dias. Igualmente eram as voltas: verdadeiras caravanas com esposas, filhos e sobrinhos, aguardavam com grande expectativa o pouso daquela máquina barulhenta tocando no solo e trazendo nas suas entranhas os amores da vida de quem os esperava completamente embebecido de ansiedade. Não sei se esperavam o viajante ou as malas abarrotadas de presentes, velho costume de então. Era imperdoável voltar do Rio e Sampa sem trazer um monte de lembranças para a família. E as nuvens de fumaça de cigarro que impregnavam o ambiente logo que a luzinha de ?não fumar? apagava? Os não fumantes, coitados, acho que Deus tinha dó deles! O tilintar do gelo nos copos de cristal esborrando de uísque servidos à granel; alimentação farta e deliciosa. Louça de porcelana, talheres de prata e um monte de peças surrupiadas enchiam as bolsas dos passageiros que certamente ainda adornam cristaleiras de colecionadores

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