Opinião
Dívida ameaçadora

Com protestos de servidores do setor público estadual ? notadamente das áreas de Educação e Segurança -, os atos da semana ganharam outro significado pela entrada em cena das entidades que compõem o Núcleo Alagoano da Auditoria Cidadã da Dívida. Entre as entidades, destaque-se o Sindicato do Fisco de Alagoas, que denuncia o governo Renan Filho pela realização de ?uma série de empréstimos milionários?. O fato é marcante, tendo em vista a passagem do último 17 de julho, que rememora os 22 anos dos acontecimentos que levaram ao afastamento de um governador e a ?intervenção branca? de Brasília no Executivo de Alagoas. Agora, o Sindifisco, em nota oficial, associa aquele lamentável fato histórico ao comportamento da atual gestão, que ameaça o ?frágil equilíbrio da economia do Estado?, Em 2015, Renan Filho obteve ?cheque em branco? do Poder Legislativo e fez a reforma administrativa que desejava, alardeando economia e equilíbrio fiscal. No ano seguinte, a União concedeu ao Estado carência de seis meses para pagamento de prestações de dívidas refinanciadas. Para completar, o governador não realizou os concursos aguardados e ainda implantou a política de arrocho, com reposição zero aos servidores. Ano passado, o governador foi ao Banco do Brasil e contraiu uma dívida R$ 620 milhões, ao tempo em que praticou renúncia fiscal de R$ 760 milhões. Agora, está ultimando outro empréstimo de R$ 700 milhões. Enquanto cresce o endividamento do Estado, diminui sua capacidade de investimento, com aumento da precarização de serviços indispensáveis e dos gargalos sociais, como o desemprego, índice que Alagoas lidera no Brasil, especialmente entre os jovens de 18 a 24 anos. Se, por um lado, o Núcleo da Auditoria Cidadã da Dívida denuncia à socie-dade esse cenário ameaçador para as contas públicas, o governador, por outro, faz ?lives? e embarca para China em suntuosa comitiva bancada pelo erário. Na volta, esperam-se explicações sobre o negócio ?xing ling? e o rumo que dará para superar a crise real de seu governo e o drama em áreas essenciais do setor público.