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Um cowboy presidente

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Na noite da eleição do novo Presidente da República dos Estados Unidos, em 1980, no calor das comemorações pela vitória de Ronald Reagan, o vice George W. Bush, entre tantas declarações entusiasmadas, disse: ?A vitória não era simplesmente um mandato para uma mudança, mas um mandato para a paz e para a liberdade; um mandato para a prosperidade; um mandato para a oportunidade para todos os norte-americanos, seja qual for sua raça, sexo ou credo; um mandato para uma liderança forte e compassiva, um mandato para fazer com que o governo seja servo do povo, da maneira como pretenderam os fundadores da nação; um mandato para a esperança; um mandato para a esperança de realização do grande sonho pelo qual o presidente eleito, Reagan, trabalhou toda a sua vida?. Seu desabafo recebeu críticas por acharem alguns exageros no momento de euforia. Afinal, o novo mandatário tinha obtido apenas 50,9% dos votantes, o que não era tão entusiasmante assim, na opinião de alguns. Apenas acabara de governar o Estado da Califórnia e não tinha muita expertise política. Não rezo nessa cartilha porque na mudança do Chefe de Estado eleito pelo povo cria-se uma nova esperança de um tempo de bonança e melhorias. Faz parte do jogo democrático. Com apenas 69 dias de mandato, sofreu um atentado a bala. No Brasil, Bolsonaro foi esfaqueado ainda quando candidato. Isso resultou num enorme crescimento da sua popularidade, ampliando a simpatia da população. Ronald Reagan, inteligentemente, tirou grande proveito do tenso momento e procurou governar com as armas da conciliação, unindo forças entre os poderes. Criou um relacionamento pacífico com o Congresso, conquistou espaço e simpatia para se transformar numa respeitável liderança, conseguindo mudanças importantes para o país, apesar da descrença de muitos. Estimulou a economia, reduziu inflação e multiplicou empregos, cortou despesas. Sem chacotas, deboches e agressividades contra os antagonistas. Com medidas criteriosas e equilibradas, conseguiu boicotar a expansão do comunismo sem show midiático. Reeleito com estrondosa votação em 1984, o cowboy saiu da telona dos cinemas e governou dois mandatos para todos os americanos, indistintamente de raça, credo, sexo, cor e preconceitos respeitando as diferenças e a democracia. Foi um dos presidentes mais populares dos Estados Unidos até se afastar da vida pública por graves problemas de saúde. À época, o vice, Bush, no calor da vitória, pode até ter cometido alguns excessos para o olhar crítico, principalmente dos democratas. Porém, suas palavras no bojo das comemorações expressaram verdades que mais tarde vieram a se confirmar. ?Um mandato para uma mudança, um mandato para a paz e para a liberdade; um mandato para a prosperidade; um mandato para a oportunidade para todos os norte-americanos?. Governar um país, liderar massas, adotar uma nova política não se faz com vingança, ódio e coices de mula acuada. O legado deixado pelo Presidente Ronald Reagan é uma referência de respeito ao ritual do cargo e equilíbrio emocional com profundo reconhecimento popular. Para fechar esse nosso pensamento, lembremos Aristóteles: ?Qualquer um pode zangar-se ? isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa?.

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