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quarta-feira, 27/08/2025 | Ano | Nº 6041
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Opinião

Bolsonaro e o Deep State

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A reforma da Previdência havia sido vitoriosa em seu primeiro turno na Câmara e, embora reconhecidamente conduzida pela liderança de Rodrigo Maia, era o primeiro grande desafio superado pelo governo Bolsonaro, e mesmo que as economias aferidas fossem abaixo das projetadas pelo ministro Guedes, seria motivo mais do que suficiente para uma pausa governamental para recarregar as baterias, catalogar e juntar aliados para a continuidade do enfrentamento dos grandes desafios nacionais, mas o que ocorreu? Verteu-se um dilúvio com polêmicas chocantes perpetradas pelo presidente da República, com imensa repercussão nacional (e inevitavelmente internacional) concentrado em pouquíssimos dias: ?A fome no Brasil é uma grande mentira!?, que tentou corrigir logo depois; ?A jornalista Míriam Leitão teria participado da luta armada?, que precisou de um editorial da Globo para desmentir; ?A defesa do trabalho infantil?; ?Se é para favorecer meu filho com filé, é isso mesmo, eu favoreço!?; ?Os dados do INPE são mentirosos?; ?Esses governadores Paraíba aí, principalmente os da Paraíba e do Maranhão, o pior... não dá nada pra ele não!?. As consequências vieram imediatamente - e caso o Congresso não estivesse em recesso, a balbúrdia seria extraordinariamente maior. O governador petista da Bahia não compareceu à inauguração de um aeroporto no estado, o que cristalizou uma indesejada ruptura entre dois agentes públicos importantes que precisam dialogar institucionalmente, e ainda levando de lambuja o resto dos governadores do Nordeste, os quais foram também eleitos pelo voto direto, em processo similar ao do presidente da República. No caso dos governadores da Bahia e do Maranhão (reduto dos Sarney e do Édison Lobão), gostem ou não, eles foram reeleitos pelo voto, e no mínimo, em respeito aos eleitores que os elegeram e às instituições, precisam ser tratados com um mínimo de urbanidade e civilidade. Bolsonaro venera Trump e, fazendo um paralelo inevitável, um episódio recente narrado - sem contestações pelo Departamento de Estado - pelo New York Times revela o que ocorre nos bastidores da Casa Branca: durante um contencioso mal conduzido com o governo sul-coreano, seu importantíssimo aliado, Trump determinou a retirada das tropas americanas ali sediadas e seu retorno imediato aos EUA, o que causaria insuperável desajuste na correlação de forças entre as duas Coreias. O alto comando das Forças Armadas simplesmente ignorou o vitupério. Trump esqueceu e partiu para outro assunto qualquer. Ações tresloucadas de Trump têm sido descumpridas pelo Establishment norte-americano. Se as cumprisse, o planeta já teria explodido sob o fogo dos artefatos nucleares. A essa situação dramática, a grande imprensa norte-americana tem cognominado Deep State (estado profundo, dominante e inacessível ao grande público). Bolsonaro abomina qualquer tipo de conciliação, nem mesmo com aliados, e jamais com os que discordam de suas posições. Sua compulsão inabalável é pelo confronto, mesmo na vitória, o que faz com que conquistas importantes da equipe econômica, como as privatizações bem sucedidas, não repercutam adequadamente. Perde o país, que não consegue a estabilização e a força indispensáveis para enfrentar a continuidade dos desafios. Resta saber o que pensa o general Heleno.

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