loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Quem apura a suspeição?

Ouvir
Compartilhar

Visando prestar mais um serviço à sociedade, a Gazeta mobilizou sua equipe de reportagem e foi a campo verificar a vida real dos centros integrados de Segurança Pública (CISPs) concebidos pelo governo do Estado para agregar as polícias Civil e Militar num mesmo ambiente operacional. A apuração jornalística foi além e constatou um quadro de caos, cujos dados suscitam a ideia de que as deformações atestadas podem até virar um caso de polícia em torno da desídia oficial. As condições estruturais da maioria dos 23 CISPs são vergonhosas. Se o de Mata Grande está cheio de rachaduras e ameaça desabar, o de Murici, Boca da Mata, Girau do Ponciano e Maribondo, apenas para exemplificar, sofrem com infiltrações, paredes caindo, problemas hidráulicos, teto de gesso desabando e abandono. São obras recentes, de dois tipos e com valores variáveis de R$ 2 milhões a 8 milhões, cada. O Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas condena a qualidade das obras e acusa o governo Renan Filho de ter transformado os centros integrados num instrumento de marketing. Há ainda problemas de localização, já que 90% deles foram estabelecidos em áreas distantes dos centros das cidades interioranas, o que dificulta o acesso das pessoas em busca de socorro. O CISP de Murici, terra do governador, possui apenas dez policiais civis e um delegado, que se revezam no atendimento ao público e nas operações investigativas em quatro municípios. Somente lá, são 250 inquéritos parados. Tal cenário se repete pelo Estado afora. Em São Miguel dos Campos, são 700 sem sair do canto. Estimam-se em 10 mil inquéritos paralisados no Estado. Se há 600 policiais civis em idade de aposentadoria e quadro irrisório para tocar as investigações de crimes em geral, do reduzido número de delegados na ativa, mais de 30% encontram-se aptos à inatividade. Os crimes se avolumam, os inquéritos não andam, as pessoas se sentem desamparadas e as construções dos CISPs ? pelas suspeitas que rondam as edificações ? já merecem uma lupa dos órgãos de fiscalização, seja do Ministério Público ou do Poder Legislativo do Estado.

Relacionadas