Opinião
Os bufões da república
A que parece poucos lembram os anos de 1979 a 1985, quando o Brasil foi governado pelo último ditador do regime militar, João Batista Figueiredo. Era um general rude, grosseiro que não tinha a menor delicadeza no trato com pessoas e principalmente com a imprensa. Ficou a impressão que o cargo lhe foi imposto contra sua vontade e detestava. Como o atual, tinha também seus gostos exóticos. Lhe dava prazer circular pelas baias porque cavalos eram a sua grande paixão, assim como Jair Bolsonaro entra em êxtase quando acaricia uma metralhadora e uma pistola. Foi um presidente desastrado no quesito relacionamento, protagonizou frases grosseiras, racistas, pejorativas, nada diferente do que assistimos hoje. Apenas as manifestações públicas atuais obrigatoriamente têm pautas de impropérios diários. Despudoradas, excessivamente desrespeitosas contra pessoas, família e até os mortos do passado e presente. Em visita à Bahia, o General Figueiredo disparou: ?Eu cheguei e as baianas já vieram me abraçando. Ficou um cheiro insuportável, cheguei no hotel tomei 3,5,7 banhos e aquele cheiro de preto não saía?. Ou, ?A solução para as favelas é jogar uma bomba atômica?; ?Se ganhasse salário mínimo, eu dava um tiro no coco?. As Forças Armadas do Brasil, na sua história, são um celeiro formador de militares dedicados, preparados que orgulham o seu povo. Em terra, no ar ou no mar, além da missão de zelar pela defesa constitucional da Pátria, também são comprometidas com programas sociais e ações cívicas, educacionais, saúde, infraestrutura. Aliás poucos brasileiros sabem desse outro lado, principalmente do Exército. A escandalosa verborreia do presidente é um caso à parte que não nos compete entrar em detalhes e só o futuro haverá de responder as dúvidas que deixam temerosos alguns milhões de compatriotas. O conjunto da obra desse governo abriga respeitável tropa da reserva exercendo funções estratégicas e administrativas, diga-se de passagem, com muita competência. Oficiais que fizeram história por reconhecidos serviços prestados as suas instituições. Possuem muita bala na agulha para continuarem contribuindo para o desenvolvimento do Brasil. Tomara que ainda motivados e felizes acreditando num país igual para todos com trabalho e respeito ao povo indistintamente de raça, cor, sexo, enfim, todas as etnias. João Figueiredo foi um presidente polêmico na relação com o público e até fazia questão de mostrar expressão carrancuda e mau humorada. Revelou certa feita que não era tão ignorante assim, porque sabia que o Brasil é um país essencialmente agrícola. Perguntado por um repórter se gostava do ?cheiro do povo?, respondeu curto e malcriado: ?O cheirinho do cavalo é melhor do que o do povo?. Também não escondia sua intolerância a função exercida sempre que era questionado, fazia questão de repetir que, ?Me envaideço de ser grosso?. No final do governo como não existia twitter, disparou um recado pela a imprensa: ?Peço ao povo que me esqueça?. E o povo realmente o esqueceu muito rapidamente ao ponto de nem lembrar as asneiras ditas há 40 anos menos constantes e desrespeitosas como no presente. O presidente João Batista Figueiredo governou até o final do seu mandato, claro. Era o fim de uma ditadura de 21 anos cuja verdade alguns alados bufões insistem em negar.