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Opinião

Realidade e fantasia

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MARCOS DAVI MELO * Alguns detalhes podem transformar uma vida em um paraíso ou um inferno. Principalmente quando os anos vão passando e o cidadão começa a refletir sobre o seu futuro. Continua com disposição para trabalhar, tem garra, tem experiência, mas, por outro lado, não é mais um menino. Não é só a questão da saúde, que se bem cuidada, o contribuinte pode passar dos 50 sem alterar significativamente a sua rotina, inclusive o seu regime de trabalho. Mas, a não ser que seja um workholic, um sujeito que vive só para trabalhar, começa a aspirar, ir reduzindo gradativamente a sua cota de trabalho. Idealiza até uma aposentadoria depois dos 60. Neste momento, a sua vida, dependendo se é vinculado ao setor público ou privado, seguirá inalterada ou sofrerá um abalo sísmico. Se, ao público, deverá ter acomodado os seus gastos aos limites do seu salário e usufruirá o dolce farniente. Se, ao privado, estará vivenciando momentos de intensa angústia. Sem adentrar nas grandes aberrações, como as aposentadorias e pensões faraônicas de marajás e viúvas alegres; as precoces por ?doença? em estatais, tão comuns até pouco tempo atrás e outras, que justificam análise à parte, as reformas que ora entram em cogitação no País, principalmente a da Previdência, prevê também reduzir a discriminação vigente entre as aposentadorias dos setores público e privado. Exemplo: um profissional liberal com 30 anos de militância, que tenha se dedicado ao setor público, estará se aposentando próximo aos cinqüenta anos. Experiente, ainda no vigor de sua meia-idade, vai procurar outra oportunidade para ocupar o seu tempo ocioso e pari passu, aumentar a sua renda. Todavia, a sua sobrevivência já estará garantida. Um outro em iguais condições, mas da iniciativa privada, não ousará pensar em aposentadoria. Como contribuinte autônomo do INSS, estará manietado pelos baixos tetos vigentes para os trabalhadores do seu setor, a grande maioria. Está sentenciado a trabalhar continuamente até ser afastado compulsoriamente, por uma doença, óbito ou simplesmente por estar gagá. A reforma da Previdência visa reduzir o déficit abissal do setor. Neste sentido, o economista Cláudio Haddad afirmou: ?Toda reforma da Previdência tem dois componentes. Um é a redução das despesas com os servidores públicos. Aí há uma esperança. O outro, o aumento do valor que se arrecada com os trabalhadores da iniciativa privada. Esse é uma certeza?. Logo, os trabalhadores do setor privado serão compelidos a contribuir com valores mais altos na esperança de uma aposentadoria que os aproxime da vigente no setor público. Uma parcela significativa de brasileiros que compartilham uma ingrata realidade e tem como único sonho de um futuro melhor, uma aposentadoria parecida a do funcionário público. (*) É MÉDICO

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