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A recessão e a diplomacia da canelada

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Ao ser questionado por poderosos adversários por sua condução visando ao armistício na Guerra do Vietnã, Henry Kissinger respondeu-lhes: ?Os Estados Unidos não têm amigos nem inimigos eternos, os EUA têm interesses?. Aquela guerra perdida desde o início mostrava-se, então, política e economicamente insustentável. Acentuam-se as constatações de que as economias da China e Alemanha apresentam sinais de estagnação. As primeiras consequências da guerra comercial entre EUA e China chegam aos lares americanos com o aumento de preços de produtos chineses de consumo cotidiano. A crise derruba os mercados por todo o mundo e ameaça muito mais os países emergentes. Atualmente, uma ameaça de recessão mundial delineia-se no horizonte. E como estamos para enfrentá-la? Aqui, alguns bancos brasileiros estão revendo para baixo o crescimento do PIB no segundo semestre depois que o IBGE concluiu que a indústria, o comércio e os serviços ficaram negativos. A desigualdade atinge níveis elevadíssimos e o desemprego de longo tempo idem. Economistas de diversas tendências afirmam que o Brasil está estagnado e mostram os números: a confiança dos consumidores havia subido para 96 pontos em janeiro e caiu agora para 88. O mesmo aconteceu com a confiança empresarial. Alimentam essa queda fatos concretos: cresceu o endividamento das famílias, segundo o Banco Central. Pesquisa feita pela Boa Vista SCPC mostrou que o percentual de inadimplentes com mais da metade da renda comprometida com pagamento de dívidas saltou de 56% para 73%. A última e desalentadora constatação, vinda do Ministério das Cidades: houve crescimento relevante do número de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza (176 reais por mês de renda), que hoje somam mais de 11 milhões de pessoas passando necessitadas. E para implementar as indispensáveis reformas, o governo não construiu uma base política no Congresso, que opera independentemente. Caso o crescimento do PIB do trimestre apresente-se negativo, o País estará em recessão técnica e se verá diante de um cenário internacional elevadamente adverso, para o qual precisaríamos ter um desempenho extremamente pragmático na diplomacia para comercializar com todos, e sem viés ideológico. Todavia, temos na diplomacia um modelo anti-Kissinger : o presidente Bolsonaro se intromete nefastamente na disputa eleitoral da Argentina (terceiro maior parceiro comercial) ao agredir o candidato favorito nas eleições, imiscuiu-se com Benjamim Netanharu, candidato à reeleição israelita mas que pode perdê-la. Despreza o chanceler francês para cortar o cabelo e faz questão de divulgar a grosseria publicamente. Faz chacota com a civilizada política ambiental da primeira ministra da Alemanha, Angela Merckel, tripudiando ainda de sua enfermidade neurológica. Merckel é, há muito tempo, a mais respeitada mandatária da Europa. A política ambiental desastrosa do governo faz com que países líderes em preservação do meio ambiente suspendam as suas contribuições para o Fundo Amazônia e cria dificuldades outras. Bolsonaro despreza a grande e óbvia lição da Argentina ? OU SE GOVERNA BEM E COM RESULTADOS OU A OPOSIÇÃO VOLTA AO PODER. Na Argentina, mesmo depois do desastre, a oposição consubstanciada na esquerda populista/peronista é favorita para ganhar as eleições. Faz imensa falta ao nosso país um chanceler que, desprovido do viés ideológico, aconselhe o presidente a não tornar a situação brasileira ainda mais complicada do que já está.

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