Opinião
Esperan�as e desafios
Está longe o tempo em que existiam motivos para os trabalhadores comemorarem o Dia do Trabalho, quando o governo federal aproveitava a data para anunciar o salário mínimo e outras medidas que resultavam em mais alegrias do que tristezas. Ao contrário dos últimos anos. Mas, a julgar pela mensagem alusiva a este 1o de maio, divulgada ontem pela Central Autônoma dos Trabalhadores (CAT), eles continuam acreditando que logo voltarão a celebrar o atendimento de suas melhores expectativas. Não faltam justificativas para isto, uma vez que permanecem as lutas contra a extinção de uma série de conquistas, por salários dignos, pela justa distribuição das riquezas. E porque, como afirma a CAT em sua mensagem, estamos vivendo um novo momento em termos de relação de trabalho no Brasil, motivado principalmente pela eleição e posse do ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva. E é preciso tirar o maior proveito possível dessa perspectiva, especialmente na busca de soluções para os problemas brasileiros. Na mesma mensagem, a entidade manifesta a sua preocupação com a permanência do processo recessivo, do crescimento do desemprego, do aprofundamento das desigualdades sociais, das altas taxas de juros e da violência. Diz que começam a existir sinais de uma nova interlocução social, a abertura de um diálogo produtivo entre empresários, trabalhadores e governo e a tentativa de, finalmente, buscar um consenso em torno das reformas mais urgentes. Estas não devem se restringir aos setores onde há desequilíbrio orçamentário. É também necessário reformar os poderes, tornando-os ágeis e respondedores das carências nacionais. Não podem ser de outro modo os entendimentos dos governantes, dos demais responsáveis pelas instituições públicas, também da iniciativa privada, das entidades da iniciativa privada, e de cada um dos cidadãos que querem o mundo e o seu País livre das drásticas conseqüências da falta de justiça social. De problemas graves e crônicos decorrente da má distribuição da renda, dos métodos abusivos adotados na distribuição e aplicação dos recursos públicos. Também de projetos e estudos que geram esperanças e terminam causando desilusões, quando deveriam acabar com os desafios que persistem entre nós. Como as dificuldades para manter e obter emprego, a exploração do trabalho infantil, do trabalho escravo e até não remunerado. Entre outros problemas que persistem à espera de verdadeiras políticas públicas.