Opinião
Quase todos somos iguais
Outro dia, enquanto aguardava o início de uma reunião, escutei quando duas mulheres conversavam, defendendo a tese de serem ?todos os homens iguais?. Nem imagino o acontecido, com uma, outra ou ambas, para surgir tal veredicto, pronunciado de forma tão incisiva. Horas depois, concluí, por experiência própria, as jovens possuírem durante o diálogo razão em parte. Imagino, todos os racionais muito se parecem em comportamento. Mas esta grande similaridade está explícita na capacidade de em um momento para outro estes fazerem desabrochar tanto afeto quanto entusiasmo, paixão, tristeza ou magia, senso e sensibilidade, opinião, pressentimento ou inspiração, ou seja, sentimentos adormecidos na aurora da compreensão de cada um. Naquele mesmo dia, tive a oportunidade de constatar semelhanças existentes entre pessoas praticantes de duas atividades distintas: o frequentador de academia de ginástica e o motorista de veículos. Nas salas de atividades físicas, existem os egoístas, representados por aqueles ocupantes de um aparelho e ao mesmo tempo reservando outros dois com toalhas, para seu uso posterior, prejudicando semelhantes. No sistema viário, os interesseiros desrespeitam as regras vigentes, desde que satisfaçam os seus intentos. Facilmente encontramos os concentrados no que realizam em um ou outro ambiente, quer seja seguindo planilhas, onde estão listadas as atividades físicas a cumprir, ou mesmo conduzindo o carro dentro das regras previstas pela legislação. Nos deparamos também com os exibicionistas, quase sem pressa, evoluindo nos salões de ginástica ou nas ruas, como atleta ou condutor veicular, em ambas situações, mais para causar, socializar, ver e ser visto. Os cabelos cor de prata, que aos poucos passam a prevalecer em minha silhueta, me levam a entender que, como seres humanos, somos idólatras, agindo de formas variadas a depender da situação: tanto podemos atuar exclusivamente em prol de determinado interesse quanto em outros momentos, fazer prevalecer o prazer como objetivo a ser buscado, existindo também situações nas quais as metas almejadas nos transforma em individualistas lobos solitários, situações nas quais iguais nem ao menos são considerados. Mas todos, sem exceção, possuímos humanidade, por mais interesseiros que sejamos. Por estas similaridades dentre dezenas de outras, digo o serem as criaturas verdadeiras caixinhas de surpresa. Por mais que tentemos explicar não conseguimos, pois o comportamento de alguns foge do convencional e dos padrões. Assim, após muito pensar, passei a comungar com a ideia das duas jovens mulheres, que afirmaram serem todos os homens (ou mulheres) iguais. Eu somente complementaria: exceto quando vestem a roupa de político, pois, como em um passe de mágica, passam a representar um ponto fora da curva, deixando de conhecer o ódio e muito menos o amor. Sendo constantemente conduzidos por interesses e nunca por sentimentos.