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Amazônia em chamas

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Tomo para título deste artigo, o filme Amazônia em Chamas, do diretor John Frankenheimer, produção de 1994, que tem no elenco o belíssimo ator Raul Júlia, em seu penúltimo papel, pois viria a falecer neste mesmo ano e também a brasileira Sônia Braga, no melhor da sua forma e no auge da sua carreira hollywoodiana. O filme, rodado no México, retrata a vida do líder seringueiro acreano Chico Mendes, assassinado a mando de latifundiários, que já nos anos 80, usavam e abusavam da prática das queimadas, para aumentar as extensões de terras para a agropecuária, que antecedeu ao atual conceito do agronegócio. A história volta a se repetir em pleno ano de 2019, só que de forma muito mais trágica. O velho pensador alemão Karl Marx, alias, sentenciou, ainda no século XIX, que ?a história se repete, a primeira vez como como tragédia e a segunda como farsa?. A tragédia e a farsa são recorrentes neste governo que não demonstra a menor empatia, preocupação ou simplesmente respeito pelas florestas, pelos povos originários e pelos animais. O atual presidente da república já demonstrou que tem lado neste incêndio de proporções nunca vista da floresta Amazônica, que é o lado do capitalismo selvagem, predatório e desumano. O Brasil tem ignorado e desprezado todos os tratados de preservação ambiental e de aquecimento global. A União Europeia, em particular a França e a Alemanha e o mundo em geral, já vem sinalizando seu desconforto com governo brasileiro, pelo seu total desrespeito ao Acordo de Paris, que tem feito um esforço para a redução de gases do efeito estufa e para a melhoria das condições climáticas. O mandatário da nação tem dado cada vez mais declarações estapafúrdias, para não dizer patéticas, a respeito não apenas das queimadas na Amazônia, mas sobre todo e qualquer assunto que exijam um mínimo de cognição mental. Após ignorar todos os tratados de defesa do ecossistema e desdenhar da agenda ecológica internacional, como por exemplo, afirmar que a questão ambientalista e ?coisa de vegano que come vegetais?, Bolsonaro agora tenta responsabilizar as organizações não governamentais que atuam na região, de serem as responsáveis por este incêndio, insinuando que ?o cara com a bicicleta, ou motocicleta, com uma vara e uma câmera, queimando, pingando aquilo na beira da pista?, seria o grande responsável por este desastre que chocou o planeta. Os fatos cada vez mais apontam para o desmatamento em grandes proporções, por parte dos produtores rurais, grileiros e comerciantes, com a finalidade de capitalização e expansão da fronteira agrícola para o plantio de pastos. O descaso dos órgãos do governo federal é outro aspecto a ser levado em conta, uma vez que todas as medidas de proteção ambiental estão sendo revogadas e desconstruída em favor do grande capital, a exemplo da drástica diminuição das atribuições do Conama - Conselho Nacional de Meio Ambiente. O atual ministro do meio ambiente, um certo Ricardo Salles, que sequer reconhece a importância histórica de Chico Mendes para a humanidade, foi nomeado para esta pasta ministerial, devidamente esvaziada de suas atribuições, após ter sido condenado pela justiça de São Paulo por crimes contra área de proteção verde, favorecendo, precisamente, mineradoras que destruíram um parque de preservação ecológica naquele estado. Isto apenas revela a face de crimes contra a humanidade do atual governo brasileiro e seu desprezo pela vida, seja ela do Reino animal ou vegetal.

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