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Opinião

Compromisso com a democracia

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Tucídides ( 450 a.C- 404 a.C), historiador da Guerra do Peloponeso , escreveu: ?Temos uma forma de governo que não vê com inveja as constituições dos povos vizinhos, e não apenas não imitamos os outros, como servimos nós mesmos de exemplos a alguém. Quanto ao nome, chama-se democracia, pois é administrada não para o bem de poucos, mas para o benefício de muitos?. Nesses mais de 2.500 anos, a democracia tem enfrentado insidiosos e maléficos desafios, como agora no Brasil. As instituições democráticas que o presidente e a família atacam com freqüência, Congresso, Judiciário, imprensa reagem a cada tentativa de ultrapassar os limites democráticos. Não se pode minimizar ou relativizar uma declaração como: ?Por vias democráticas, a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos... e se isso acontecer?. Goethe, em sua obra Epigramas, já alertava: ?A DEMOCRACIA NÃO CORRE, MAS CHEGA SEGURA AO OBJETIVO?. Em 1990, quando deputado, o patriarca já declarara em entrevista : ?Através do voto, você não muda nada no país. Tem que matar uns 30 mil?. Bolsonaro, em recente entrevista à Folha, afirmou que ?o Brasil fora dos conchavos é ingovernável?. A democracia e suas instituições passam a ser um estorvo nessa visão autoritária. O presidente da República, a sua família e alguns em seu entorno já louvaram tantas vezes as ditaduras que ignorar isso é impossível. Igualmente a declaração de seu filho Eduardo, durante a campanha, de que o STF poderia ser fechado com um cabo e um soldado, e quando alguém perguntou-lhe o que aconteceria se o Supremo impugnasse a campanha, respondeu: ?Se o STF pagar para ver, vai ser ele contra nós?. A campanha inventou que o Bolsonarismo era herdeiro de combate à corrupção que já vinha ocorrendo de forma democrática. Prometeu também crescimento econômico. Nove meses depois, há evidentes ataques à operação de combate à corrupção e a economia desacelerou da fraca retomada que chegou a esboçar em meados do ano passado. E isso está decepcionando quem acreditou nas promessas de campanha. Aí vem a tentativa de achar um culpado: o CULPADO PARA ELES É A DEMOCRACIA. O que houve até agora foi desmonte do combate à corrupção patrocinado direta ou indiretamente pelo grupo no poder, e para proteger o primeiro filho, Flávio, das dúvidas razoáveis a respeito do que acontecia em seu gabinete, vale tudo: trocar o comando da Policia Federal no Rio e talvez até em Brasília, desmontar o COAF - e conseguir uma medida liminar que parou inúmeras investigações - e nomear um PGR que se se apresentou como submisso ao governo. Na economia o ambiente continua árido, sem sinal concreto de melhora em curto prazo. É nesse ambiente de frustração que falou o filho do presidente, considerado o especialista em comunicação da família. As palavras querem dizer o que elas dizem. Não adianta tentar consertá-las depois. Tratar como naturais declarações antidemocráticas só porque elas são recorrentes é deixar-se entorpecer pelo absurdo. É exatamente a repetição que as torna mais graves. Como Rui Barbosa afirmou em sua obra Cartas da Inglaterra: ?A PIOR DEMOCRACIA É PREFERÍVEL À MELHOR DAS DITADURAS?.

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