Opinião
Comemorar o quê?
Nos próximos dias, o governo do Estado irá cumprir uma programação festiva para comemorar a passagem do aniversário de nossa emancipação política. Comete dois erros: continuamos carentes de uma emancipação e, depois, comemorar o quê? A situação do sofrido Estado de Alagoas tende a se agravar daqui para frente, segundo especialistas que veem dias nebulosos para o governador Renan Filho, que, desde o início, do seu segundo mandato perdeu as rédeas do controle político e arca com o peso da má gestão dos serviços públicos, com uma equipe medíocre em sua maioria, fruto de acordos nada republicanos, e de sua evidente falta de habilidade para o diálogo. Na realidade, se observa que existem dois governos em Alagoas. O governo virtual que é mantido por milhões gastos em publicidade e espaços nas mídias sociais, cujas despesas estão sendo contestadas e denunciadas nos órgãos de controle externo, eivadas de irregularidades, desvios de finalidade e afronta às legislações que tratam da contratação pública. Já o governo real, que as mídias milionárias tentam esconder, exibe um quadro de irresponsabilidade administrativa digno do afastamento de qualquer governante. A saúde em absoluto caos, com pessoas morrendo nos corredores do Hospital Geral do Estado, onde faltam medicamentos básicos, insumos, profissionais e o mínimo de respeito ao direito do miserável viver. Enquanto isso, o outro governo, o virtual, anuncia a construção de novos hospitais. O Fundo de Amparo à Pobreza (Fecoep) é alvo de denúncia de desvios de milhões, com provas contundentes. Na educação, as denúncias são gravíssimas e esta semana assistimos ações da Polícia Federal, cumprindo mandatos de busca de documentos e efetuando a prisão de servidores envolvidos em atos de corrupção. Um dos alvos, o presidente da AMGESP, órgão responsável pelas licitações e contratos, cujo titular acompanha o governador desde quando foi prefeito de Murici. A pasta é dirigida pelo vice-governador do Estado. Delegados e agentes policiais ameaçam entrar em greve, não apenas por salários baixos, mas principalmente pela vergonhosa condição de trabalho na maioria das delegacias, na capital e interior. Condições insalubres, prédios sucateados, falta de equipamentos... Há também robustas denúncias em setores como Saúde, Assistência Social, Secretaria de Comunicação e Previdência, apenas aguardando ações em andamento do Ministério Público (Federal a Estadual), CGU e Polícia Federal. Pobre Alagoas, envergonhada diante de tanta irresponsabilidade e pagando pelo equívoco do voto.