Opinião
Rosário de lamentações
Alagoas vivencia a passagem de seus 202 anos de existência num quadro triste, sem motivo para festejo. Em plena era do conhecimento e da digitalização, convivemos com estatísticas vexatórias, que bem expressam o lamentável fato de os alagoanos ainda não se encontrarem emancipados da exclusão social. O governo de Alagoas, que deveria estar induzindo um vigoroso processo de desenvolvimento, com as potencialidades que a natureza ofertou, vagueia diminuto frente aos reais desafios. ? A razão está na ineficiência generalizada, agravada nas áreas da Saúde, Segurança e Educação, conforme atestou recente pesquisa da Folha de S. Paulo. Como comemorar, se as escolas ditas integrais são consideradas uma farsa pelos dirigentes da categoria dos profissionais da Educação? Se o gestor da área devolve R$ 27 milhões à Brasília e se o respeitável Instituto Airton Senna comprova o rebaixamento do Estado na universalização do acesso ao ensino, tendo um dos piores índices do País em matrículas de jovens entre 15 e 17 anos? E o que dizer de um governo, cuja área encarregada de cuidar da esperança e do futuro das novas gerações, encontra-se na mira da Polícia Federal, que lá detectou desvio de dinheiro e uma organização criminosa? Sem falar nos R$ 600 mil desperdiçados no Hemocentro de Arapiraca e dos R$ 3 milhões devolvidos ao Ministério do Esporte, que estão sob investigação. Enquanto Renan Filho remete recursos do Fecoep para empreiteiras, os desvalidos seguem órfãos de políticas de inclusão social. Seu governo parou no tempo, porque 120 mil empregos foram extintos nesses últimos cinco anos. Jovens desempregados, de 18 a 24 anos, alcançam 34%, quando a média nacional, já alta, é de 27%, segundo o Ipea. E os Centros Integrados de Segurança pública? Obras caríssimas que sofrem, em tão pouco tempo, de graves problemas estruturais. A criminalidade assusta o povo, diante de um aparato muito deficiente. São 97 delegados ? 30% em idade de aposentadoria - para 141 delegacias e 23 Cisps. Se o contingente de PM é reduzido, a metade dos Policiais Civis também está apta a se aposentar. Como consequência, dez mil inquéritos parados nas delegacias. É brincar com a aflição alheia. A desídia e o desleixo prosseguem, com matadouros abandonados e aumento do abate clandestino de carne bovina; com R$ 253 milhões disponibilizados pelo governo federal e que o Estado estranhamente não os utiliza, desde 2016, e com R$ 20 milhões torrados em propaganda promocional, só no primeiro semestre deste ano. Eis a cena real de um governo que parou no tempo, e que nada tem a oferecer aos alagoanos de presente no aniversário de Alagoas.