Opinião
08 de setembro: saudades, amor...
Passaram-se seis anos, e parece que foi ontem... Outras vezes, parece fazer um século! O tempo e os sentimentos me confundem... Após sofrer uma parada cardíaca, em fevereiro de 2013, meu amado Cícero passou quase três meses na UTI, entre Maceió e São Paulo. Foram dias de muita aflição. Enfim, no início de maio, para nossa alegria, ele retornou para o nosso lar. Ainda em maio, comemoramos o nascimento de nossa netinha Marina. Tudo era alegria. Conseguimos ir, também, com filhos e netos aos Estados Unidos, destino que meu inesquecível marido muito apreciava. Nos parques de Orlando, parecíamos crianças, curtindo as atrações. Foram dias memoráveis! Em 08 de setembro, em almoço familiar festivo, comemoramos mais um ano de sua vida. Seria o seu último natalício... 08 de setembro de 2019. Amor, hoje sinto a frieza da sua ausência inquieta. Você foi sinônimo de alegria, trabalho, honradez e muito amor. Quando a saudade me maltrata, apoio-me na sabedoria de Pablo Neruda: ?O maior dos sofrimentos é não ter por quem sentir saudades. É passar pela vida e não viver?. Volto no tempo, e relembro as noites de lua nova, quando, juntos, olhávamos as estrelas. Batizamos de ?nossas?, as chamadas: As Três Marias. Meu amor, continuo sempre as admirando, e agora, plagiando Olavo Bilac, confirmo: ?Pois só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e entender estrelas?. Você será sempre a minha ?Estrela Guia?. Quanta coisa teria para lhe falar... Nossos netos cresceram... Maíra, nossa primeira neta, já estuda medicina. Arthur, Kayan e Marina continuam lindos, inteligentes e saudáveis (coisas de ?avó coruja?). Nossos filhos, Sérgio e Ricardo, como você os incentivou e ensinou, seguem seu exemplo: são ótimos chefes de família, além de respeitados profissionais. Você continuaria a sentir orgulho da família que, com muito amor, nós construímos. A você, dedico estes singelos versos, 08 de Setembro: A primavera desabrocha / O meu inverno interior transborda de saudades. / Saudade, dor que não passa./Presença da ausência amada/ que persiste e se alarga, quão intenso foi o amor. Minha saudade rodopia na vastidão fria da noite./Tua morte feriu minha alma e embotou meus sonhos. Nossa cumplicidade nos uniu./Vem a morte e, subitamente, retira as algemas de nossos braços /como se pudesse apagar os nossos mais íntimos laços. Já não posso te tocar./ Já não posso te alcançar. /Prefiro me lembrar dos momentos enamorados/ de nossos corpos colados /nossas andanças pelo mundo, com braços entrelaçados. Meu amor, como é difícil suportar a ausência do nosso amor ardente. Tu foste a semente que brotou. / O sol que me aqueceu. / Luz que me iluminou./ Estrela que me guiou. 08 de Setembro. / A primavera desabrocha./ O meu inverno interior transborda de saudades. 08 de Setembro: Saudades, Amor...