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Opinião

Respeitem a história, Marta agradece

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Essa inconsequente discussão para mudança do nome do Estádio Rei Pelé começou, faz tempo. A ideia equivocada de um ou de alguns deputados pouco interessados com os graves problemas que afligem o Estado é prova inquestionável do quanto o alagoano é mal representado. Em fevereiro escrevi a primeira versão sobre o tema e até achava que o assunto já havia sido encerrado. Como Dois Riachos e entorno, região da Rainha Marta, rendem uns votinhos e a eleição está próxima, os espertos insistem no velho costume de fazer lambança. Quem pela liturgia do cargo deveria entender de leis, são os que mais habitualmente as desrespeitam. A Lei 6.454, de 24 de outubro de 1997, em seu art. 1º é clara: ?É proibido, em todo o território nacional, atribuir nome de pessoa viva a bem público, de qualquer natureza, ou às pessoas jurídicas da Administração indireta?. O Trapichão é um bem público que pertence ao Estado. Portanto, tudo não passa de mais um engodo para capitalizarem benefícios eleitoreiros. Como se não bastasse, expõem completa ignorância sobre a história do futebol alagoano. Sequer se deram ao trabalho de fazer uma visita ao Museu dos Esportes cuidado com denodo pela enciclopédia viva do nosso futebol: o respeitado Lauthenay Perdigão. Eles também desconhecem, tenho certeza, que o projeto do Rei Pelé não foi criado para Alagoas. O engenheiro paulista, João Kair, seu idealizador, atendeu um pedido do Corinthians Paulista que sonhava em construir um novo estádio no final dos anos sessenta. Depois de conhecer o colosso de moderna estrutura em forma de ferradura, desistiu. Faltava dinheiro no timão para viabilizar o projeto. O que preconiza o destino, não tem como fugir do que está escrito. O Marechal Costa e Silva, então Presidente da República, convidou o Governador Lamenha Filho para uma reunião no Rio de Janeiro juntamente com o Senador Teotônio Vilela para definir um ministério para Alagoas. Antes do encontro, o engenheiro João Kair, sabendo da presença das nossas autoridades, solicitou um tempinho para apresentar o seu projeto recusado pelo Corinthians, que não mais tinha dono. A ideia encantou o governador e seu Secretário de Planejamento, Dr. Ib Gatto Falcão. Esqueceram a reunião com o Presidente, Alagoas perdeu um ministério, mas ganhou o estádio mais moderno do Brasil à época. Os mais velhos como eu, lembram dos bingos e festivais realizados no local com premiação de caminhões, Jeeps, Rurais, Fuscas e outros. As promoções eram geradoras dos recursos que contribuíram para a concretização de um grande sonho. Comprando cartelas para concorrerem, os alagoanos desejavam as atraentes premiações que fizeram a felicidade de centenas de contemplados. O nome do estádio estava definido: Governador Lamenha Filho. Emocionado com o tricampeonato mundial do Brasil em 1970, num gesto de grandeza e humildade como ser humano e político, Lamenha abdicou da homenagem transferindo as honras para o gênio do mundo da bola, que viria a ser o atleta do século XX, Pelé. A inauguração foi uma festa inesquecível para os alagoanos com a presença do ídolo imortal. Portanto, excelências, respeitem a história, respeitem Alagoas, respeitem seus eleitores. Marta agradece!

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