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Cobrando a conta - Editorial

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Na mesma medida que cresce a preocupação do mundo com o aquecimento global, crescem as tentativas de manipulação desse problema e soluções de ocasião não têm faltado à pauta. Além da notória resistência dos principais países ricos em limitarem suas emissões de carbono, surgem vez por outra teses oportunistas como as que procuram colocar o ônus na conta dos países em desenvolvimento. A bem da verdade, um dos poucos governos que tem defendido seus pontos de vista sem tergivesar sobre a polêmica, é o americano. Não existe nada de elogiável na posição ianque, a não ser a transparência com que defende suas posições retrógradas. Mas talvez seja mais condenável a posição de outros países ricos, que discursam ecologia e não fazem gesto que corresponda a palavra dita. Pior ainda é a posição de técnicos a defender que a redução de emissão de carbono seja praticada principalmente nos países em desenvolvimento. Em meio a tanta polêmica e tanta hipocrisia, vale a pena se prestar atenção no documento intitulado Combatendo a mudança climática: solidariedade em um mundo dividido, cuja apresentação oficial está marcada para ser realizada uma semana antes da Conferência sobre Mudança Climática da ONU, a se realizar em Bali, na Indonésia, entre 3 e 14 de dezembro deste ano. No documento citado está reafirmada a tese de que os países ricos devem reduzir drasticamente suas emissões de gases causadores do efeito estufa para minimizar os impactos da mudança climática e de que as nações do Norte devem reduzir suas emissões em pelo menos 80% até 2050. Simples e objetivo. A polêmica segue e não existem soluções mágicas. Mas, decididamente, essa conta não pode ser cobrada aos que (ainda) buscam o desenvolvimento. A parte do leão deve ser cobrada ao leão.

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