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Opinião

Uma amizade singular

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| José Medeiros * Reflexões próprias durante os longos feriados de fim de ano levaram-me a recordar fatos ocorridos no mês de janeiro, de uns 20 anos atrás. Primeira aula de um curso de atualização na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Cada um dos alunos fez sua apresentação, em seguida, foi a vez de um chinês, magro, olhos semi-cerrados, recém-chegado da terra de Confúcio. Falava um português arrastado, mas compreensível. Enumerou vários títulos de importância, ostentando a posição de professor catedrático da Universidade de Pequim. O nosso mestre perguntou se ele não precisava de um serviço de tradução simultânea; respondeu que não, pois, há oito anos, vinha estudando o português e o compreendia bem. Depois de algum tempo, o china ? era assim que o chamávamos ? tornou-se a vedete da turma, que buscava saber detalhes da vida em seu país. Convidamos para morar no hotel onde estávamos e, embora, com certa relutância, aceitou o convite. Num fim de semana, com algumas doses de saquê no estômago, a conversa correu desinibida. Então, vieram as perguntas: Como havia conseguido licença oficial da ditadura chinesa para vir ao Brasil? Com voz pausada, contou-nos que tinha sido difícil; conseguiu graças à interferência de um dos poderosos do regime. Mesmo assim, com a assinatura de um compromisso formal: voltar e ensinar durante 16 anos; caso contrário, se ele ficasse no Brasil, seu pai seria preso durante igual período e depois banido do país. Ficamos perplexos diante dessa realidade brutal. Perguntei o que ele conhecia sobre Confúcio, sábio chinês, cujos provérbios são repetidos, ouvidos e seguidos. Inclinou-se, em sinal de respeito. Explicou-nos que ele viveu durante os anos 500, antes da era Cristã. Numa linha de pensamento filosófico-religiosa, procurava, com suas teorias, sugerir soluções para problemas sociais. Concluiu, afirmando que a obra de Confúcio foi reunida em 900 volumes. Tento recordar alguns dos provérbios lembrados por ele: Não importa o tamanho da montanha; ela não pode tapar o sol. / Para ter mais um ano de vida, dê uma garfada a menos em cada refeição. / Sem o fogo da batalha, não há o calor da vitória. / Lembre-se de cavar o poço bem antes de sentir sede. / O homem morre precisamente quando vai aprendendo a viver. / As más companhias são como um mercado de peixes; acaba-se acostumando com o mau cheiro. Ah! Ia esquecendo: aprendi a gostar de uma taça fumegante de chá de jasmim... (*) É médico e ex-secretário de Saúde e de Educação.

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