Opinião
Presença federal

Na passagem do presidente Lula por Alagoas, na última sexta-feira, ele se posicionou diante dos ataques da oposição quanto ao caráter supostamente eleitoreiro de suas andanças para lançar programas federais e anunciar a chegada de milhões de reais para municípios em pleno ano de disputa nas urnas de todo o País. Aqui, o presidente também bateu pesado ao reagir às críticas. Disse que as elites do Sul e Sudeste não aceitam que um presidente olhe para o Nordeste. Falou o que a platéia queria ouvir no calor escaldante de Delmiro Gouveia. Nem tanto ao mar nem à terra, Alagoas espera ajuda do governo federal na superação de graves problemas espalhados da educação à segurança pública. O tratamento dessa pauta não deve ser contaminado pelo clima de guerra que se instala nas disputas eleitorais. Quando isso ocorre, os projetos caem diante de qualquer denúncia, de qualquer ataque sobre as possíveis irregularidades de anúncios e projeções de repasses financeiros. É irônico que justamente no governo de Lula, o Estado esteja tão perto da presidência com um governo que integra o partido mais duro em relação ao presidente. Que aqui seja a prova de uma relação institucional, sem ambigüidades nem intenções enviesadas. Se apenas uma parte do que está sendo prometido agora chegar mesmo nos próximos dias, semanas, meses e anos o dinheiro prometido virá em etapas generosas até 2010 , o Estado teria de fato as condições para um salto em várias dessas áreas mais críticas. As demandas são inúmeras, os desafios gigantes, mas o governo, que já atravessou o primeiro ano, deve mirar o futuro de olho bem aberto nas condições atuais para avançar. Os recursos, claro, são mais do que necessários. Mas a clareza de propósitos e a rapidez nas ações devem prevalecer, mesmo diante de questões políticas de ocasião.